Concentração de compra de petróleo provoca aumento de importação
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 21 (AE) - A concentração de compras de petróleo, cujo preço no mercado internacional encontra-se no pico, cotado em cerca de US$ 30 o barril, causou aumento nas importações brasileiras na terceira semana de fevereiro. As compras de petróleo na semana passada somaram US$ 87 milhões, valor 61% superior à média das duas primeiras semanas do mês.
A balança comercial teve défcit de US$ 34 milhões nesse período, com exportações de US$ 945 milhões e importações de US$ 979 milhões. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Petrobras
o aumento nas importações deve-se a oportunidades de aquisição de petróleo a preços mais baixos.
Do total de petróleo que é consumido no Brasil, 60% são produzidos pela Petrobras e os 40% restantes são importados de outros mercados, principalmente Argentina, Arábia Saudita e Venezuela. As importações são feitas de duas maneiras: com contratos de longo prazo, que garantem o fornecimento do petróleo, mas não fixam preços, e por oportunidades de negócios.
Quando a Petrobras consegue negociar a compra por preços mais convidativos, há uma concentração de importações. Outro motivo que pode levar a empresa a aumentar as compras é a necessidade de fazer estoque do produto. Mas, de acordo com a assessoria da estatal, não há razão para isso. A última vez que a empresa comprou petróleo para estocar foi para previnir-se quanto a possíveis necessidades causadas pelo Bug do Milênio, no fim do ano passado. Períodos de greve também podem levar a empresa a estocar.
Outro motivo que colaborou para o aumento das importações foi a compra de um avião no valor US$ 32,2 milhões. A média diária das importações aumentou 2,4%, enquanto a das exportações caiu 1,2%. No total do mês, até a semana passada, a balança comercial registrou um saldo negativo de US$ 33 milhões, com exportações de US$ 2,667 bilhões e importações de US$ 2.700 bilhões. Em comparação a janeiro de 1999, foram importados em maior valor os seguintes produtos: combustívies e lubrificantes (aumentos de 38% e 169,2%), aeronaves e peças (66,7% e 99,6%), plásticos (25,8%), borracha (26,9%), cobre (110%), químicos orgânicos e inorgânicos (12,1%) e veículos e partes (33,3%).
Com relação às exportações, os destaques, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, foram os produtos manufaturados, cujas vendas, pela média diária, aumentaram 20,6% sobre janeiro de 2000 e 9,9% sobre fevereiro do ano passado. Os semimanufaturados tiveram aumento de vendas de 10,9% e 7,4% nos mesmos períodos comparativos.


