São Paulo, 08 (AE) - A economista e deputada federal Maria da Conceição Tavares (PT-RJ) rebateu as críticas do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco à oposição afirmando que vê nele "um caso de megalomania delirante". Ela fez palestra na Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), em São Paulo, com o tema "Crise Econômica e Federalismo". "Um jovem ambicioso, sabichão e que quer muito prestígio e poder termina nisso", observou a deputada, ao referir-se a Franco.
Ela traçou um panorama pessimista da economia nos próximos meses. "Estamos numa sinuca", resumiu. "Se os grandes credores não refinanciarem as posições de curto prazo, nós explodimos." Na opinião de Conceição, o cenário econômico é incerto até setembro. "Até lá o câmbio não regressa e a inflação sobe", previu.
Conceição criticou também o acordo fechado pelo governo federal com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ela, a segunda parte do acordo é "muito pior que a primeira". Em sua palestra, a deputada referiu-se ao novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, como o "menino do mercado internacional".
Indicadores - A Fundap divulgou hoje os Indicadores Diesp (Diretoria de Economia do Setor Público), nº 70. Segundo o editor do boletim bimestral, Fernando Sampaio, o impacto da crise econômica brasileira nos mercados internacionais foi bem menor que o provocado pelas crises asiática e da Rússia. "Os grandes credores do Brasil são os norteamericanos, que já estavam preparados para a desvalorização", justificou.
Ele ressaltou também a importância da participação dos credores privados no País. "Se não houver disposição dos credores privados de participar do refinanciamento, a conta não fecha", afirmou.

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