Arquivo FolhaJorgina em foto de junho de 91, ainda no Rio de JaneiroA Justiça da Costa Rica autorizou ontem a extradição, para o Brasil, de Jorgina Maria Fernandes de Freitas, acusada de desviar US$ 112 milhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela estava presa na Costa Rica desde novembro. Ao saber da decisão do juiz de primeira instância, Geraldo Rojas, Jorgina telefonou para seu advogado no Rio, Felipe Amodeo, e disse que pretende recorrer da sentença. Isso deve retardar sua chegada ao Brasil.
O advogado de Jorgina na Costa Rica, George Granado Moreno, vai apresentar o recurso contra a sentença de extradição. Amodeo considerou a decisão de Rojas tecnicamente perfeita, embora tenha admitido que Jorgina estava inconformada. ‘‘Se ela estivesse satisfeita não recorreria’’, disse o advogado. Ele não quis reproduzir o diálogo com a cliente. ‘‘Ela está se sentindo uma pessoa condenada e extraditada, só isso’’, desconversou.
Ainda segundo Amodeo, o juiz Geraldo Rojas permitiu a extradição baseado na condenação de Jorgina por peculato, em ação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Nesta ação ela foi condenada a 14 anos de prisão, embora, segundo Amodeo, ainda caiba recurso, pois a sentença ainda não transitou em julgado. O juiz, disse o advogado, não considerou a acusação de crime por formação de quadrilha, no qual Jorgina é acusada com juízes, contadores e outros advogados que fraudaram o INSS. ‘‘A ação ainda está em andamento’’, disse Amodeo.
O advogado afirmou que ao assinar a extradição, o governo brasileiro se compromete com o fato de que Jorgina não poderá ser julgada por outra ação anterior à concessão da extradição.
Caso não recorresse da sentença de extradição, Jorgina possivelmente chegaria ao Brasil no fim de semana, mas o recurso deverá retardar a chegada. Com a advogada aqui, a Justiça e a Polícia Federal esperam esclarecer o funcionamento do esquema de lavagem de dinheiro fraudado do INSS. Após quatro meses de investigação, a Polícia Federal suspeita de que o doleiro Laerte Mazza, dono da empresa Vert Tour, no Rio, seria um dos responsáveis pela lavagem do dinheiro de Jorgina, usando conta de laranjas em um banco em Vila Isabel, zona norte do Rio, e pela remessa de dinheiro para empresas montadas em paraísos fiscais no Caribe.
Segundo o superintendente da PF no Rio, delegado Jairo Kullmann, o esquema de lavagem, usava depósitos em contas de estrangeiros residentes no Brasil, as chamadas CC-5, ou em contas no Paraguai, de onde seguiam para paraísos fiscais. O dinheiro estaria voltando para o Brasil, por meio do Anexo IV do Banco Central, para que, sem identificação, os fraudadores pudessem lucrar com os juros altos e a alta das bolsas de valores, até a crise de outubro, nos países asiáticos.
De acordo com Kullman, Mazza teria ficado com parte do dinheiro dos fraudadores e entre os credores estaria o ginecologista Jorge Salloun, que durante 15 anos foi médico de Jorgina. Mazza, segundo a polícia, estaria devendo US$ 700 mil para Salloun, acusado de ter enviado para o exterior US$ 1 milhão depois que Jorgina foi condenada, em 1992.
A PF tem informações de que Mazza e Jorgina se encontraram em julho no restaurante Dirty Mary, no centro do Rio. A fraudadora teria estado no Rio duas vezes no começo de 1997, em uma delas para o aniversário do filho, Celso Luiz. Ela teria entrado no País, com documentos falsos, pelo Paraguai.

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