Brasília, 08 (AE) - A safra agrícola deste ano, que estava estimada inicialmente em 83,4 milhões de toneladas de grãos, acabará ficando abaixo da colheita registrada no ano passado, que foi de 82,4 milhões de toneladas, conforme dados que serão anunciados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 24 próximo. A redução ocorrerá basicamente por conta da quebra da colheita de milho, que estava estimada em 32 7 milhões de toneladas e deverá ficar em 31 milhões de toneladas (5,2% a menos que a previsão inicial). Caso ocorra redução apenas na safra de milho, como está sendo esperado pelo governo, o resultado final da colheita ficará em 81,7 milhões de toneladas.
Por enquanto a quebra prevista atinge apenas a colheita de milho, prejudicada pela estiagem que atingiu especialmente a região Sul em novembro e dezembro passados. Não deverão ocorrer alterações na colheita de soja, estimada em 31,8 milhões de toneladas (3,4% acima da safra 1998/99) e na safra de arroz, prevista em 11 milhões de toneladas. A Conab deverá concluir as informações que está coletando junto aos produtores na próxima semana. A quebra está sendo calculada na safra total de milho porque, como a estiagem provocou atraso no plantio da chamada "safrinha" - estimada em 6 milhões de toneladas neste ano - que começaria a ser plantada no final de janeiro e início de fevereiro, o governo ainda não tem informações suficientes para fazer uma avaliação correta do desempenho da safrinha, segundo um técnico do governo.
Apesar da reconhecer que a estiagem reduzirá a safra de milho, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, contestou hoje as informações de que as importações do produto deverão chegar a quatro milhões de toneladas. Segundo ele, os responsáveis por este tipo de informação ou estão mal intencionados ou desinformados, porque não estão computando neste cálculo a produção de outras forrageiras destinadas à ração animal.
Conforme os cálculos do secretário, na pior das hipóteses a importação de milho ficará em dois milhões de toneladas. "Quem está estimando importação de quatro milhões de toneladas ou está mal intencionado - para manipular preços - ou está desinformado", afirma.
Segundo Benedito Rosa, a projeção de que será preciso importar quatro milhões de toneladas de milho é irreal porque não considera a existência de 1,8 milhão de toneladas de outras forrageiras destinadas à ração animal. Entre essas, ele cita o sorgo, com previsão de 1,2 milhão de toneladas; milheto, com estimativa de 400 mil toneladas; e triguilho, que deverá render 200 mil toneladas. Acrescenta ainda um estoque de passagem de 1 2 milhão de toneladas de milho, dos quais cerca de 300 mil toneladas rrespondem a estoques oficiais que já vêm sendo leiloados e um milhão de toneladas, aproximadamente, que se encontra em poder do setor privado.
Diante desses dados, e considerando que a colheita de milho fique em 31 milhões de toneladas este ano, Benedito Rosa diz que haverá uma oferta de 34 milhões de toneladas, somando milho e outras forrageiras, que serão ofertadas ao mercado. Como o consumo nacional de milho fica entre 35 a 36 milhões de toneladas ano, as importações do setor ficarão, no máximo, em dois milhões de toneladas, afirma. "A estimativa oficial é a de que no ano colheita março/2000 a fevereiro/2001, sejam importadas 1,8 milhão de toneladas", afirma.
Ele lembra que no ano passado os especuladores também afirmaram que seria previso importar 2,5 milhões de toneladas de milho e que, ao final, a importação não chegou a um milhão de toneladas.

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