Conab aposta na comercialização rápida da safra
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 12 (AE) - O superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Rio Grande do Sul
Raul Merch, disse hoje que, se houver muita demanda por empréstimos do governo, pode haver dificuldades para acomodar os produtos, mas ele também confia na rápida negociação da safra sem EGF em função dos preços favoráveis.
Em todo o País, a capacidade de armazenamento da Conab nas suas 215 unidades próprias é de 2,2 milhões de toneladas. O volume alcança 90 milhões de toneladas com a rede credenciada, excetuados os armazéns frigorificados.
Segundo o presidente da Conab, Eugênio Stefanello, houve muitos descredenciamentos nos últimos cinco anos por inadequação técnica dos armazéns ou desvios de estoques. Ele explicou que o índice médio de desvios no País, que era de 5% em 1995, caiu para 0,3%. No Rio Grande do Sul, a média ainda é de 0,7%.
Conforme o presidente da Conab, até julho a superintendência do Rio Grande do Sul vai leiloar os dois únicos armazéns graneleiros de sua propriedade no Estado. Localizadas no município de Santa Bárbara do Sul, as unidades somam uma capacidade de 18 mil toneladas e foram repassadas à companhia como "dação em pagamento" de dívidas.
Dívida - Até o final deste mês deve ser encontrada uma solução para a dívida de R$ 2,9 milhões da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) do Rio Grande do Sul com a Conab. O objetivo é garantir o credenciamento da estatal gaúcha, que foi prorrogado emergencialmente do final de dezembro até 31 de março
para o recebimento da safra de verão.
O débito da Cesa foi constituído ao longo dos últimos anos em função de perdas e desvios de estoques. O governo estadual que assumiu em janeiro propôs fazer o pagamento em 18 meses, mas a norma da Conab determina que, nesses casos, a quitação tem que ser à vista. "Estamos analisando a mudança desta norma", disse o presidente da Conab.
O superintendente regional afirmou que a empresa tem interesse em regularizar a situação da estatal gaúcha porque ela possui silos verticais de concreto que permitem estocagem de longo prazo.
A Cesa também tem uma capacidade de armazenamento de 950 mil toneladas, metade do volume de todas as unidades credenciadas pela Conab no Rio Grande do Sul. "A empresa é um patrimônio do produtor gaúcho", comentou Merch.


