Moscou, 15 (AE-AP) - O novo bloco Unidade, apoiado pelo Kremlin, e o Partido Comunista são os dois grandes favoritos para vencer as eleições parlamentares deste fim de semana, segundo pesquisas de opinião.
Numa sondagem promovida nos primeiros 10 dias de dezembro pelo Instituto para Pequisa Social Comparativa, 19 por cento dos 1.278 entrevistados disseram que votarão nos comunistas no domingo, enquanto 17.6 por cento optaram pela Unidade, publicou hoje o jornal The Moscow Times. O diário, que patrocinou a sondagem, escreveu que a margem de erro é de cerca de 3 pontos percentuais, o que coloca os dois partidos num empate técnico.
Segundo uma pesquisa do ROMIR divulgada na terça-feira, a Unidade está na frente dos comunistas, com 21.9% dos votos, contra 17.7%. A sondagem foi realizada em 4 e 5 de dezembro com 1.500 pessoas em toda a Rússia. A margem de erro do ROMIR é de 2 a 4 pontos.
A Unidade, que foi formada apenas em setembro, viu sua popularidade decolar. Liderada pelo popular ministro para Situações Emergenciais, Sergei Shoigu, ela tem cultivado uma imagem de governo responsável. A Unidade desfruta do apoio do primeiro-ministro Vladimir Putin e seus candidatos têm recebido plena e favorável cobertura da mídia respaldada pelo Kremlin.
Os índices dos comunistas, que constituem a maior bancada no atual parlamento, têm se mantido mais ou menos inalterados.
Analistas afirmam que os comunistas dispõem de um bloco leal de partidários, mas que o partido tem dificuldade em atrair novos eleitores.
A verdadeira batalha tem sido travada entre a Unidade e a Mãe Pátria-Toda a Rússia, que é liderada pelo prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, o ex-primeiro-ministro Yevgeny Primakov e Vladimir Yakovlev, prefeito de São Petersburgo.
Mãe Pátria-Toda a Rússia se apresenta como uma alternativa centrista tanto aos comunistas quanto aos reformistas de mercado que têm trabalhado com o presidente Boris Yeltsin, e promete combater a corrupção.
Algumas pesquisas realizadas nos últimos meses sugerem que o partido, explorando uma onda de desilusão com a administração Yeltsin, venceria a maioria dos votos.
Entretanto, a mídia apoiada pelo Kremlin tem promovido uma intensa campanha contra o partido, acusando Luzhkov de corrupção e questionando se Primakov, agora com 70 anos, tem condições de assumir posições de poder.
Na pesquisa do Moscou Times, Mãe Pátria-Toda a Rússia ficou com 9.2% das intenções de voto. Na do ROMIR, ela conseguiu 9%.
Luzhkov promoveu um comício na frente do Kremlin na noite de terça-feira a fim de aumentar o apoio da Mãe Pátria-Toda a Rússia antes das eleições de domingo, quando ele também tentará a reeleição.
É amplamente esperado que Luzhkov vença a eleição, apesar de a erosão de sua popularidade significar que ele provavelmente não conseguirá os 90% dos votos que ganhou na última eleição.
Luzhkov, que já foi um dos maiores apoiadores de Yeltsin, pediu à multidão de 60 mil pessoas para rechaçar o governo Yeltsin, por ser "aquele que roubou o dinheiro do país" durante o processo de privatização no início dos anos 90.

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