Comunistas devem vencer eleições legislativas russas
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sexta-feira, 17 de dezembro de 1999
Por Vladimir Isachenkov 
Moscou, 17 (AE-AP) - O Partido Comunista não produziu nenhuma enxurrada de propaganda política na tevê durante a campanha para as eleições parlamentares de domingo, mas isso não impediu que eles liderem as pesquisas de opinião.
Ao contrário dos outros partidos, que encheram as redes de tevê e ruas da cidade com propaganda, os comunistas têm se mostrado quase invisíveis, se apoiando num exército de idosos e em seu tradicional método boca-a-boca para atrair potenciais eleitores.
"Temos de garantir que um panfleto, um pôster, um convite seja colocado no lugar certo, na hora certa", afirmou o líder comunista Gennady Zyuganov num comunicado publicado hoje no diário Kommersant. "Temos de estar em todo lugar que esteja nosso eleitor - num apartamento, na entrada de um prédio, nas ruas, estações de metrô, hospital, ponto de ônibus".
Cerca de 20% a 25% dos entrevistados em pesquisas recentes dizem que irão votar nos comunistas, dando ao partido uma liderança sobre partidos centristas e liberais, apesar de que seja esperado que os centristas se saiam bem coletivamente.
Os comunistas foram os mais votados, com 22% dos votos, nas última eleição parlamentar em dezembro de 1995, tornando-se o maior partido na Duma, com 131 das 450 cadeiras. O desempenho do partido surpreendeu muitos observadores, que haviam previsto que a agremiação não seria bem votada.
Yevgeny Volk, o diretor da Fundação Heritage em Moscou, previu que os comunistas continuarão sendo a maior força na Duma, apesar de provavelmente com menos cadeiras. Isto fará com que a Duma continue atolada em discussões infindáveis entre partidos menores, disse ele.
"A nova Duma permanecerá ociosa e inépta", afirmou Volk. "Os comunistas e seus aliados vão continuar bloqueando tentativas de reformas, mas não disporão de votos suficientes para fazê-las retroceder".
Mas outros analistas afirmaram que os comunistas amenizaram sua retórica, e podem estar mais interessados em conquistar uma reputação de ser um partido que consegue fazer coisas ao invés de apenas glorificar o passado soviético. O partido não fala mais em restaurar o controle estatal da economia e tem tentado convencer empresários de que quer trabalhar com eles.
No começo da campanha eleitoral, muitos observadores previram que o Partido Comunista de Zyuganov iria enfrentar uma forte competição da parte de outros grupos radicais. Grupos comunistas menores, entretanto, promoveram campanhas fracas e a expectativa é de que eles não se saiam bem.
No passado, a administração do presidente Boris Yeltsin via o partido de Zyuganov como seu principal opositor. Mas na atual campanha, o bloco moderado Mãe-Pátria-Toda a Rússia, liderado pelo ex-primeiro-ministro Yevgeny Primakov e o prefeito de Moscou Yuri Luzhkov, também foi eleito pelo Kremlin como um de seus principais adversários.
A grande popularidade inicial do Mãe-Pátria-Toda a Rússia foi erodindo depois de ataques promovidos pelos canais de televisão e a mídia impressa pró-governo, que fizeram constantes denúncias contra o bloco e seus líderes, questionando sua honestidade e competência.
Primakov, 70 anos, anunciou hoje que disputará a eleição presidencial do ano que vem, e recebeu o apoio imediato de Luzhkov. Um bom desempenho de seu bloco nas eleições deste domingo servirá como um trampolim para suas pretensões.
Zyuganov, que ficou em segundo lugar na eleição presidencial de 1996, também é considerado um candidato em potencial, apesar de ter poucas chances de vitória.
Alguns analistas consideram que os esforços do Kremlin para enfraquecer o Mãe-Pátria se mostrarão contraproducentes, ajudando os comunistas a preservar uma forte presença na Duma ao mesmo tempo em que enfraquecendo partidos centristas.


