Nem a demarcação de 2 milhões de hectares de terras fez com que as comunidades indígenas deixassem de usar o Dia do Índio para protestar. Ontem, enquanto o ministro da Justiça, José Gregori, formalizava em São Paulo a demarcação de 14 áreas indígenas em seis Estados, cerca de 500 índios, representando 80 povos de todo o País, carregavam arcos, flechas e bordunas em um protesto diante do Congresso Nacional, em Brasília. Eles pediram a aprovação de um novo Estatuto do Índio.
Em São Paulo, Gregori teve de tranquilizar o líder da comunidade ianomâmi, Davi Ianomâmi, durante a cerimônia de assinatura dos termos de demarcação. Davi teme que seu povo perca terras por conta da pressão de políticos locais, fazendeiros e madeireiros.
Ele disse ainda preocupar-se com a situação da comunidade macuxi, de Roraima. ‘‘Eles estão sendo pressionados por deputados locais e federais, além do governador Neudo Campos (PPB), para não conseguirem a demarcação das terras’’, denunciou. A comunidade Raposa Serra do Sol tem cerca de 10 mil índios de várias etnias, principalmente macuxis, e não está incluída no processo de demarcação assinado.
O ministro afirmou que não há razões para se preocupar com a posse das terras. ‘‘A demarcação é um processo definitivo. Não há risco de alterar um centímetro no que a lei determina e o seu povo pode dormir tranquilo.’’ A saúde dos indígenas, a geração de renda e a preservação ambiental das reservas são, de acordo com Gregori, as prioridades atuais da Fundação Nacional do Indío (Funai).

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