Comunidade ucraniana em festa
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domingo, 27 de setembro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Apucarana - As boas vindas e a alegria pela acolhida ao metropolita Dom Antony, dos Estados Unidos, estavam presentes na saudação fixada já na entrada da Paróquia Ortodoxa Ucraniana Proteção da Santíssima Mãe de Deus, em Apucarana (Centro-Norte). O "bem-vindo", escrito no alfabeto cirílico, margeado pelas bandeiras do Brasil e da Ucrânia, simbolizava a união entre os povos e a preservação da cultura do leste europeu. Há 61 anos, a comunidade da igreja ortodoxa de Apucarana aguardava com ansiedade a segunda vinda de um metropolita para a região. Hierarquicamente, o título equivale ao de cardeal na Igreja Católica, abaixo apenas do papa.
A vinda de Dom Antony tornou ainda mais especial uma das festividades comemoradas pelos cristãos ortodoxos em todo o mundo: a Festa Universal da Preciosa e Vivificante Cruz. A celebração representa um momento de pedido de perdão pelos pecados e de renovação interior. Dom Antony conduziu a liturgia e a comunidade participou das orações e cânticos em ucraniano, ritual difundido há mais de 1.700 anos. Em alguns momentos, os fiéis se ajoelharam e se curvaram diante da cruz em sinal de respeito e gratidão. Toalhas bordadas enfeitam a igreja e reafirmam a tradição ucraniana. Uma delas é colocada ao redor da cruz.
"Mantenha a imagem da cruz em suas mentes porque a cruz não é sinal de sofrimento, é um sinal de salvação. Ela também pode ser vista como um sinal de adição, de soma e não de enfraquecimento. Ela restaura através da oração. Quando nós fazemos o sinal da cruz pedimos que, a cada momento, Cristo esteja em nossos pensamentos e em nosso coração e que ele nos fortaleça", explicou Dom Antony ao final da cerimônia. O metropolita agradeceu a acolhida calorosa e destacou que um dos principais desafios da Igreja Ortodoxa em todo o mundo é combater a banalização da fé e resgatar valores.
Na primeira visita de um metropolita a Apucarana, em 1954, a Paróquia Proteção da Santíssima Mãe de Deus foi consagrada por Dom Ioan Teodorovicz. Ele foi um dos líderes espirituais de Dom Antony, o que motivou a passagem por Apucarana. Dom Antony é responsável pelas comunidades ortodoxas dos Estados Unidos, da América do Sul, do Leste Europeu, da Nova Zelândia e da Austrália. "É um momento histórico. Os senhores, que eram crianças na época, se lembram desse momento e sentem nostalgia de estarem participando novamente de uma visita", destacou o subdiácono de Apucarana, Ivan Tchopko. Dom Jeremias, arcebispo que mora em Curitiba, também participou da celebração.
Aproximadamente 15 famílias de descendentes de ucranianos mantêm a tradição das celebrações em Apucarana. O ritual e o idioma atraem pouquíssimos jovens mesmo em dia de festa para os ortodoxos. A celebração de ontem teve três horas de duração. "Já chegamos a ter, aproximadamente, 70 famílias participantes", ressaltou a irmã de Ivan, Dorotéa Tchopko. Em todo o País, há 14 comunidades ortodoxas ucranianas, sendo oito no Paraná.
A Festa Universal da Preciosa e Vivificante Cruz é marcada pelo jejum dos fiéis, que não se alimentam de carne vermelha e não ingerem bebida alcoólica neste dia. Mais de mil perohe ou vareneky, prato típico ucraniano, foram servidos em um almoço após o encerramento da celebração. Depois de passar por Curitiba e Apucarana, Dom Antony retorna aos Estados Unidos no início desta semana e, em seguida, parte rumo a Jerusalém.


