Comunidade taiwanesa em São Paulo também está dividida17/Mar, 18:05 Por ANGELA PEREZ São Paulo, 17 (AE) - Cautelosos, desconfiados, membros da comunidade taiwanesa em São Paulo mostram-se reticentes em manifestar sua opinião sobre qual candidato deve vencer as eleições presidenciais deste sábado em Taiwan. O comerciante Camine Su, de 45 anos, diz que se os taiwaneses que moram no Brasil pudessem participar das eleições, ele votaria em Lien Chan, candidato do governante Partido Nacionalista. Ele explica que Lien poderia dar sequência às reformas iniciadas pelo presidente Lee Teng-hui, o que seria bom para a economia de Taiwan. Mas Su, que vive há 15 anos no Brasil, alerta que desta vez a oposição tem grandes chances de vencer as eleições, tudo por causa da divisão criada dentro do Kuomintang. "Se o candidato independente James Soong não tivesse saído do partido governista para concorrer sozinho, Lien teria sua vitória garantida", disse Su. O comerciante declarou que o empate virtual entre Lien, Soong e Chen Shui-bian, candidato do Partido Democrático Progressista, é causado pelos chamados refugiados - os chineses que fugiram para Taiwan com o presidente nacionalista Chian Kai-chek após serem derrotados pelos comunistas em 1949. "Os refugiados sempre alimentaram o desejo de uma reunificação com a China, por isso estão apoiando Soong, que é a favor de um acordo com Pequim." Su, formado em sociologia, atribui a ascensão da oposição ao fato de que os jovens estão descontentes com a corrupção e ansiosos por mudanças. Para ele, a juventude taiwanesa está mais corajosa e até disposta a enfrentar uma possível invasão da China, pois sabe que diante de qualquer ameaça nesse sentido haverá uma intervenção dos Estados Unidos. Mas Su acha que a China, por enquanto, vai continuar apenas com suas ameaças, mesmo em caso de vitória da oposição, até alcançar seu objetivo de ingressar na Organização Mundial do Comércio, aí sim pode haver um perigo real. Já o empresário taiwanês Ivan Liao, de 60 anos, acha que qualquer candidato que vencer as eleições será bom para o povo taiwanês, mas pessoalmente torce pela vitória do nacionalista. Ele acha que o presidente Lee não teve tempo suficiente para terminar seu projeto de reformas e Lien, atual vice-presidente, dará prosseguimento ao plano. Liao riu ao ser questionado sobre o descontentamento dos jovens taiwaneses com relação à corrupção dentro do governo. Para ele, aqui, no Brasil, acontece as mesmas coisas, sempre que um funcionário corrupto faz alguma coisa o governo leva a culpa. Liao disse acreditar que, na hora da votação, os jovens taiwaneses vão acabar votando no Kuomintang, pois eles dizem que apóiam a oposição só por causa dos amigos. O empresário está mais preocupado com a situação econômica da ilha, pois acha que nenhum dos candidatos vai declarar a independência de Taiwan e duvida que haja uma ameaça real por parte da China. "Tudo não passa de falatório, pois Pequim sabe que o mundo não vai permitir a invasão de Taiwan, que já é considerado um país independente, com um governo democrático e uma economia estável", disse Liao. O administrador de empresas Marcos Tsai, de 42 anos, não compartilha da mesma tranquilidade que Liao. Ele acha que Pequim não vai ficar só na ameaça no caso da vitória da oposição e se uma invasão ocorrer, ninguém vai poder ajudar Taiwan por causa da pequena distância entre a ilha e o continente. "Quando as sirenes soarem avisando que os aviões chineses decolaram, será questão de minutos para um ataque", alertou. Tsai e sua família são partidários de Lien e Soong, mas preferem o candidato nacionalista. Tsai, que trabalha com comércio exterior, é totalmente contrário ao candidato democrata. Ele acha que se Chen Shui-bian vencer, haverá uma grande instabilidade econômica no país por causa da fuga de capital. Os investidores, que esta semana já demonstraram seu receio pelas ameaças chinesas, "com certeza deixarão de investir na ilha".

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