São Paulo, 1 (AE) - Os programas desenvolvidos pelo Conselho da Comunidade Solidária vão ser encampados por organizações não-governamentais até o final do governo Fernando Henrique Cardoso. A ONG que assumirá o maior dos programas, o Universidade Solidária, já tem pronto o texto de seu estatuto e deve ser oficializada até dezembro. A presidente da comissão, Ruth Cardoso, disse hoje à AGÊNCIA ESTADO que a idéia é dar autonomia a cada projeto e independência para que possam continuar sem os atuais conselheiros.
Ela não vincula a mudança de comando ao tempo que resta de mandato a Fernando Henrique, mas assessores admitem que a estratégia visa garantir a continuidade dos projetos, seja qual for o sucessor no Palácio do Planalto. "Cada programa que ganha sua vida própria deve ser autonomizado, não tem de ser dependente da Comunidade Solidária e do grupo de conselheiros", justificou Ruth Cardoso.
A comissão coordena hoje quatro grandes programas, já envolvendo ONGs que servem principalmente para permitir a captação de recursos da iniciativa privada - o dinheiro captado pelo governo tem de ser incorporado ao Tesouro, e não segue diretamente para os projetos. Daqui por diante, a meta é passar também a administração a setores sem vínculo com o Poder Público.
O Programa Universidade Solidária, criado em 1996, é o mais antigo e mais complexo deles, mobilizando universitários em ações junto a comunidades carentes. Vinha utilizando entidades como o Conselho de Reitores de Universidades Brasileiras (Crub) para mobilizar recursos financeiros obtidos em parcerias com empresas, função que será assumida pela nova ONG.
Haverá um período de transição, em que a nova ONG coexistirá com a administração da Comunidade Solidária. "Levará algum tempo para ir transferindo a coordenação, deixando de ser governamental", explicou Elizabeth Vargas, coordenadora do programa.
Parcerias - Ruth Cardoso apresentou hoje os programas da comissão durante evento promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Comunicação (Abec), em São Paulo. Além dos avanços do Universidade Solidária, ela apresentou o programa de capacitação profissional de jovens, o Alfabetização Solidária e o Projeto de Apoio ao Artesanato para Geração de Renda, que procura alternativas às tradicionais frentes de trabalho em regiões de seca.
Ruth Cardoso disse que vê uma disposição surpreendente das empresas aos programas e atribui isso ao fato de haver avaliação e comprovação de resultados. "No tempo da LBA, nunca se avaliou nada para saber como os recursos foram gastos", comparou. "Os resultados é que garantem novas parcerias."
A presidente da Comunidade Solidária sugeriu aos empresários de comunicação que assumam e difundam a idéia das parcerias, para garantir soluções de baixo custo e alta eficácia
"com uma maneira nova de tratar problemas velhos". A sugestão foi dada em resposta ao pedido do presidente da Abec, Carlos Eduardo Mestieri, de que Ruth Cardoso indicasse formas de engajamento das empresas de comunicação.

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