Comunidade se une contra a dengue
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domingo, 27 de janeiro de 2013
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Cerca de 160 pessoas e 25 veículos, entre caminhões, tratores e pás carregadeiras foram mobilizados ontem pela manhã para um mutirão integrado contra a dengue na região central de Londrina, onde o Levantamento do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Liraa) foi superior a 13%, quando o nível aceito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%. Foram vistoriados e limpos cerca de 2620 domicílios, em 18 bairros, no quadrilátero entre as ruas Duque de Caxias, Avenida Brasília, Rua São Vicente e Rua Belém.
O trabalho envolveu as secretarias de Saúde, Obras, Agricultura e Meio Ambiente, sob coordenação da Cmtu, além de Sercomtel e entidades da iniciativa privada, como o Sindicato da Construção Civil (Sinduscom) e faz parte do cronograma de ações da Campanha Integrada de Combate à Dengue. Enquanto agentes de endemias visitavam as casas, outros aplicavam o fumacê. Caminhões passaram recolhendo lixo reciclável e rejeitos e também foi feita a limpeza de terrenos baldios.
Uma das ações mais significativas foi a roçagem e limpeza do Centro Social Urbano (CSU), na Vila Portuguesa. Gilmar Domingues Pereira, diretor de Operações da Cmtu, explicou que todo mês é feita a roçagem do local, mas não o trabalho de retirada de lixo reciclável. "Esta é a primeira etapa do nosso trabalho. Ainda nesta semana deveremos dar início à segunda, que é verificar junto à Secretaria de Obras o que pode ser feito para desobstruir os tubos de passagem do Córrego Bom Retiro, que estão fechados, acumulando água e assim podendo ser foco do mosquito da dengue", disse.
Elson Belisário, coordenador de Endemias, explicou que o Liraa da região foi alto provavelmente devido aos fundos de vale e locais com moradias precárias, além de haver também casas com grandes terrenos, o que possibilita o acúmulo de objetos que podem juntar água, com pneus e eletrodomésticos quebrados.
O aposentado Antônio Ramos aproveitou o caminhão da coleta para jogar fora algumas tábuas velhas que mantinha no quintal, além de um monitor velho. "A agente de endemias passou por aqui e falou sobre o caminhão, por isso aproveitei para me desfazer disso. Sempre mantemos o quintal limpo e por isso nunca tivemos problema com a doença, nem conheço ninguém que teve. Mas como sabemos o quanto a dengue é perigosa, fazemos a nossa parte", contou.
O medo de ter dengue faz com que a também aposentada Valdete Nunes cuide bem do seu quintal. "Minha cunhada já teve (dengue), então é bem mais perigoso para ela e por isso redobramos os cuidados. Até tenho pneus no quintal, mas estão bem cobertos e durante a vistoria não temos problemas", garantiu.
Rosa Pedrão, costureira, aproveitou os caminhões para retirar a areia que ocupava parte de sua calçada. "Tinha um plástico cobrindo e poderia juntar água, por isso vou colocar em outro lugar a areia. Acho bom que seja feito esse mutirão, mas acredito que apenas passar o veneno não resolve, as pessoas tinham que ser mais conscientes. Quem deixa o quintal sujo tem que ser multado mesmo, senão a dengue não vai acabar. Todo mundo tem medo de pegar a doença mas muita gente deixa tudo sujo" criticou.
De acordo com Belisário, outro mutirão deverá ser realizado no próximo final de semana, em local ainda a ser definido. "São 13 pontos a serem trabalhados. Na segunda-feira (amanhã) será divulgado um novo Liraa, que esperamos ser menor, devido ao trabalho que estamos fazendo."


