Comunidade pede mais creches
Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Os moradores dos conjuntos habitacionais Requião 3 e 4, em Maringá, reclamam da falta de creches no bairro. No local, existe somente um estabelecimento que atende apenas 246 crianças de 0 a 6 anos, enquanto os bairros abrigam 1.460 famílias. Na época da inauguração dos conjuntos, um dos primeiros requisitos para se conseguir uma casa era a quantidade de filhos. Hoje, a lista de espera na creche pode demorar mais de um ano, mas a maioria das mães não pode esperar tanto tempo e acaba levando os filhos para locais distantes.
A diarista Rosângela da Silva tem duas filhas de 1 e 3 anos. Há dois anos, ela tenta uma vaga para a mais velha na creche do bairro, Anjo da Guarda, e não consegue. Sem outra alternativa e não podendo abrir mão do emprego para cuidar das meninas, ela matriculou a criança na creche do Jardim Liberdade. Tem bastante gente aqui do bairro que leva os filhos lá. É muito ruim, porque é longe e a gente tem que acordar cedinho para ir a pé. Tenho pena de deixar minha filha lá, mas não tenho outra alternativa, lamenta.
A outra criança ainda não conseguiu vaga e, por enquanto, é criada pela avó, mas por pouco tempo. Minha mãe é doente e não pode ter mais este trabalho, diz Rosângela.
Quem também recorreu provisoriamente a parentes foi a diarista Lucimar Rabelo de Souza. Ela deixa o filho de um 1 e 3 meses com a cunhada, que está grávida e somente poderá cuidar do menino até fevereiro, quando terá o bebê. Não sei o que vou fazer depois. Ela vai ter o próprio filho e não poderá mais cuidar do meu, queixa-se Lucimar.
A diarista contou que já tentou uma vaga para o filho mais velho, que hoje está com sete anos e vai à escola. Ele ficou em uma creche no Conjunto Campos Elíseos, longe do Requião. Eu arrumei este lugar depois de ficar quase dois anos esperando aqui. Para levar o menino, eu saía às 6 horas de casa e chegava no serviço quase às 8 horas. Era um sacrifício que talvez terei que enfrentar de novo, agora com o menorzinho, lamenta.
De acordo com a presidente da Fundação de Desenvolvimento Social de Maringá, Márcia Socreppa, a região precisaria de pelo menos mais uma creche, o que está previsto para o próximo ano. É claro que nunca teremos o ideal. O local tem muita criança, mas com pelo menos mais 240 vagas a carência vai diminuir bastante, acredita.
A filha da dona de casa Ângela Cristina Zanchieta da Silva ainda vai demorar um pouco para ir para a creche, mas a falta de vagas já preocupa a mãe. É um absurdo o que fazem aqui. Este local é conhecido por Morro da Formiga por causa do grande número de crianças e não dão a mínima atenção a elas, reclama.
Ela também acredita que mais uma creche já resolveria a situação. Por enquanto eu ainda não preciso, mas quando for procurar, tenho certeza que vou enfrentar todas as dificuldades das minhas vizinhas e acho isso um abuso.





