Paris - O plano de luta contra o aquecimento global anunciado quinta-feira pelo presidente George W. Bush encontrou eco negativo em outros países que deixaram clara sua preferência pelo protocolo de Kioto sobre a redução de gases de efeito estufa. ‘‘Achamos que os Estados Unidos cometeram um erro quando rejeitaram o protocolo de Kioto’’, declarou o ministro canadense do meio ambiente, David Anderson, destacando, no entanto, ‘‘certo número de aspectos positivos’’ do plano americano, entre eles, principalmente, os incentivos fiscais a favor das fontes de energias renováveis e de novas tecnologias energéticas.
O primeiro-ministro australiano, John Howard, qualificou de ‘‘muito positivo’’ o plano americano e destacou a hostilidade de seu governo a qualquer ratificação do acordo de Kioto sem as assinaturas dos Estados Unidos e dos países em desenvolvimento.
O Japão renovou o compromisso de ratificar o protocolo de Kioto mas declarou ‘‘apreciar’’ o aumento do interesse dos Estados Unidos pela questão.
A União Européia (UE) renovou seu ‘‘pleno compromisso a favor do protocolo’’, o único marco eficaz para lutar contra o aquecimento global’’.
O ministério francês das Relações Exteriores estimou que o programa do presidente Bush aponta para um simples desaceleramento das emissões de gases de efeito estufa, sem compromissos obrigatórios.
‘‘A comunidade científica está de acordo com a necessidade de chegar rapidamente a uma redução absoluta dessas emissões’’, afirmou o porta-voz adjunto do Quai d’Orsay, Bernard Valero.
O ministro francês do meio ambiente, Yves Cochet, conclamou a União Européia a ‘‘dar uma resposta firme, rápida e coordenada às autoridades americanas’’.
O protocolo de Kioto (1997), que foi assinado pelo governo Clinton em 1998 mas que George W. Bush se nega a ratificar, prolonga a Convenção de 1992 assinada durante a Eco-Rio, a conferência da Terra do Rio de Janeiro (firmada e ratificada pelos Estados Unidos) e estabelece compromissos obrigatórios de redução dos gases de efeito estufa.

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