Comunidade escolar discute reforma do ensino médio


O Núcleo Regional de Educação de Londrina finalizará nesta sexta-feira (14) um documento sobre a Medida Provisória (MP) de reforma do ensino médio, que está em tramitação no Congresso Nacional. A MP foi debatida e analisada, nesta quinta (13), por professores, pedagogos, diretores de escolas, pais e alunos, e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), em encontro no Parque Governador Ney Braga.
A medida também foi discutida em outras regionais de Educação do Estado e cada uma encaminhará as suas avaliações à Secretaria de Educação. Em Londrina, os participantes foram divididos em grupos para avaliarem a medida e apresentarem suas considerações.
A maioria dos cerca de 500 participantes, de 104 escolas de ensino médio pertencentes ao Núcleo de Londrina, repudiou as mudanças previstas na MP. "O Núcleo vai sintetizar as avaliações e encaminhar para a Secretaria de Estado da Educação. Também vamos devolver esse documento para as escolas debaterem novamente o assunto. Não esgotamos a discussão aqui", comentou Lúcia Cortez, chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina.
Os participantes esperavam concluir o documento no evento e alguns chegaram a vaiar quando a chefe do Núcleo encerrou o debate. "Já estávamos com um esboço do documento pronto. O pessoal queria assinar uma ata", disse Elizamara Goulart Araújo, da direção estadual da APP-Sindicato. Representantes do sindicato, dos pais e alunos poderão acompanhar a elaboração final do documento, antes do encaminhamento à Secretaria de Estado da Educação.
O encaminhamento do debate foi criticado por pais e alunos e considerado ineficaz. "A Secretaria está querendo colocar na nossa cabeça que a MP não está sendo implantada. E não é isso que está acontecendo. Não vou deixar que eles me manipulem", afirmou uma aluna de 16 anos da Escola Estadual Basílio de Lucca, de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina).
A escola foi a primeira do município a ser ocupada pelos secundaristas. Para a estudante, a proposta de ensino integral vai prejudicar os estudantes que precisam trabalhar para auxiliar no sustento das famílias. "Quando se começou a falar disso, em torno de 40% dos alunos da minha escola disseram que vão parar de estudar se a media entrar em vigor", disse.
A professora Maria Alzira Francisco Silva, de 51 anos, mãe de uma aluna do ensino médio da Escola Estadual Presidente Castelo Branco, de Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina), também criticou o encontro e a MP. "Esse encontro foi ineficiente. Foi só para enganar. As nossas escolas não estão preparadas para essas mudanças. Não há estrutura física para abrigar os alunos em tempo integral. Não sou totalmente contra a MP, mas ela deveria ser mais debatida com a comunidade escolar. Hoje, ela é inviável", avaliou.
Para a APP-Sindicato, a medida vem como uma imposição, pois modifica a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e não daria autonomia aos Estados para modificarem ou não cumprirem essa legislação. "A MP é, na sua totalidade, muito ruim, e é rejeitada em sua integralidade pela maioria dos professores do Estado do Paraná", afirmou Elizamara.(A.M.P.)





