Pela primeira vez no país, dois homossexuais serão oficialmente ordenados pastores. A cerimônia acontece na próxima terça-feira num pequeno salão alugado na região central de São Paulo. O local abriga a Comunidade Cristã Gay, fundada em outubro passado, e que pretende ser a primeira igreja homossexual do Brasil.
Na sexta-feira, um grupo de voluntários preparava o cenário da ordenação, pintando as paredes de azul e o rodapé de rosa. Cerca de 50 pessoas já participam da comunidade e um número bem maior está sendo esperado na ordenação. Um coral de homossexuais vai participar da cerimônia. O pastor Nehmias Marien, da Igreja Presbiteriana de Bethesda, de Copacabana, no Rio, presidirá a ordenação.
A criação da igreja e a ordenação dos pastores homossexuais dividem religiosos e especialistas. ‘‘Segundo São Paulo, o homossexualismo é uma aberração, logo, a ordenação de um pastor é uma dupla aberração, porque o pastor tem de ser o modelo, o líder , afirma dom Estevão Bettencourt, professor de teologia do seminário arquidiocesano do Mosteiro de São Bento, no Rio.
‘‘A ordenação está fundamentada na Bíblia , afirma Tarcísio Mendes de Lima, 27, um dos fundadores da comunidade, professor da rede pública e estudante de Letras da USP. Para o pastor Marien, ‘‘pecado é não amar . Os dois futuros pastores homossexuais preferem não divulgar seus sobrenomes. Um deles, Luiz Fernando G., 27, é professor de teologia em um seminário católico em São Paulo. Deixou a escola católica pouco antes de sua ordenação como padre. O outro é Victor O., 26, professor de teologia em um seminário da Assembléia de Deus. (AF)

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