Comunidade Baháí celebra primeiro dia do ano
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quinta-feira, 20 de março de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina Hoje é o primeiro dia do ano. Pelo menos para os integrantes da comunidade baháí (pronuncia-se barrai). Trata-se de uma religião que tem mais de 7 milhões de adeptos espalhados pelo mundo. No Brasil, são 70 mil. Em Londrina, várias celebrações estavam previstas para acompanhar a virada.
No calendário da Fé Baháí, o réveillon é comemorado na passagem de 20 para 21 de março. A data corresponde ao início do calendário solar, que coincide com o equinócio vernal o dia em que se inicia o outono no Hemisfério Sul e a primavera no Hemisfério Norte. É o único dia do ano em que o sol ilumina a Terra de maneira igual nos dois hemisférios, fazendo que recebam a mesma quantidade de luz, num fenômeno em que noite e dia têm igual duração.
O ano 2014 da Era Cristã equivale ao 171º da Era Baháí, já que foi instituído em 1844, pelo primeiro profeta Báb, precursor da Fé Baháí. O calendário é composto por 19 meses de 19 dias cada, mais quatro dias sagrados.
Segundo Jerônimo Francisco Neto, um dos membros da Assembleia Espiritual em Londrina, as comemorações da passagem do Ano-novo são bem semelhantes as que ocorrem no mundo ocidental, regido pelo calendário gregoriano. "Nos reunimos com familiares e amigos para celebrarmos com comidas diversas, brindarmos e fazermos orações. Em comunidades maiores, pode haver palestras e até mesmo apresentações artísticas", explica.
Em comunidades orientais, contudo, os seguidores ainda seguem tradições como levantar-se cedo no dia que antecede a passagem para buscar água em poços e córregos, que é usada para banhar as pessoas, purificando-as para o novo ano, bem como reunir-se em torno de fogueiras ao ar livre.
Segundo Neto, a Fé Baháí é a "etapa contemporânea da única religião que a humanidade já teve". A vinda de seu mensageiro Baháulláh, considerado manifestante de Deus, foi a última a acontecer. "Acreditamos que, de tempos em tempos, Deus designa um manifestante para uma revelação. É um processo progressivo que não terá fim. A próxima revelação, entretanto, não deve acontecer antes de mil anos."
Entre os mensageiros que fizeram revelações divinas estão Krishna, Buda, Abraão, Moisés, Zoroastro, Jesus Cristo, Maomé, e, mais recentemente, o Báb e Baháulláh. Estes nove nomes representam as nove pontas da mandala da Fé Baháí.
Reuniões de oração
Ao contrário de outras religiões, a Fé Baháí não possui templo de adoração, a figura de um líder religioso ou rituais. Conforme explica Jerônimo Francisco Neto, "nosso único dogma é a crença em Deus". Anualmente, nove pessoas da comunidade são eleitas para compor uma Assembleia Administrativa. Estes, contudo, não fazem pregação. "Cada um interpreta os textos sagrados a sua maneira. Não existe alguém que diga o que a pessoa tem de fazer ou acreditar. Entre nossos princípios estão a eliminação de todos os preconceitos e harmonia entre religião e ciência e razão", completa.
Nas comunidades, porém, pode haver tutores, cujo papel é auxiliar a discussão dos textos entre grupos, fomentando o aprendizado participativo. Em Londrina, as reuniões são nas manhãs de domingo. Além disso, são realizadas atividades como aulas baháís para crianças, empoderamento de pré-jovens, orações devocionais e metodologia do Instituto Ruhi de Capacitação.



