Rio, 20 (AE) - O acordo de preferência tarifária entre o Brasil e a Comunidade Andina (CAN), assinado em agosto, vai aumentar o comércio na região, compensando em parte as perdas causadas à balança comercial pelas restrições impostas pela Argentina a uma série de produtos brasileiros, como calçados e aço. "O acordo ajuda o desempenho da balança nesse momento em que o País enfrenta problemas com a Argentina", afirmou a economista Lúcia Maduro, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O fato do Brasil ter enviado à Argentina uma comissão negociadora de peso e não ter conseguido chegar a um consenso foi considerado uma grande derrota. A comissão foi composta entre outros pelo embaixador José Alfredo Graça Lima e o presidente da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves. "Agora é preciso buscar uma solução no âmbito do Mercosul", disse.
Um estudo realizado pela economista mostra que a abertura proporcionada pelo acordo vai ampliar o intercâmbio entre os países, que somou apenas US$ 2,9 milhões no ano passado. A análise faz parte do relatório Comércio Exterior em Perspectiva divulgado hoje pela CNI.
O documento destacou que houve uma abertura comercial dos dois lados, com o Brasil concedendo e recebendo dos países andinos um número equilibrado de concessões. Quem mais abriu sua fronteira foi a Colômbia, sendo também o país a obter mais benefícios do governo brasileiro.
Os maiores avanços foram obtidos exatamente em setores com grande representatividade na pauta de exportações brasileira
como máquinas e aparelhos; material elétrico e suas partes; material de transporte; material comuns e suas obras; e químico. Juntos esses segmentos responderam por US$ 1,2 milhão das vendas externas para a região.
Segundo Lúcia, o governo conseguiu garantir à indústria brasileira assimetria no total de concessões, mesmo em produtos eletrônicos. O acordo foi negociado em igualdade de condições com os mexicanos, que desfrutam de margens de preferências superiores às outorgadas pela Comunidade Andina ao Brasil. "É evidente o saldo positivo para o Brasil", avaliou.
O setor têxtil, um dos prejudicados pelas restrições impostas pela Argentina, conseguiu obter vantagens com o novo acordo. O Brasil foi beneficiado principalmente pela Colômbia e pelo Peru.

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