Computadores são chave para CPI desvendar esquema em Campinas
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 30 (AE) - A CPI do Narcotráfico espera desvendar a estrutura do crime organizado em Campinas a partir da leitura dos bancos de dados de 13 computadores que receberam hoje. Os computadores são dos empresários Willian Sozza e Alexandre Negrão e do advogado Eugênio Mathias. Com eles, a CPI recebeu em Brasília extratos bancários de contas de Alexandre Negrão no exterior. Negrão e Mathias serão ouvidos novamente pela CPI.
Todos os computadores foram recolhidos nas empresas e nas residências dos dois empresários e do advogado. A CPI acredita que Sozza e Mathias sejam os cabeças de uma quadrilha de narcotraficantes que age em vários Estados e Alexandre Negrão é investigado por lavar dinheiro em contas de pilotos.
Todos os computadores foram trancados hoje em um cofre da Câmara dos Deputados e estão sob custódia da CPI, até que os bancos de dados sejam lidos e transcritos. "Os computadores poderão esclarecer muito o crime organizado", disse o presidente da CPI, Magno Malta (PPB-ES). "Senão não teriam entrado com recurso na Justiça para não abrir os dados", disse, fazendo referência a recurso impetrado por Negrão no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pede a devolução de equipamentos e documentos recolhidos em sua residência.
Segundo parlamentares da CPI, foram encontrados na mesa de Negrão vários extratos bancários de contas no exterior, principalmente nos Estados Unidos. A CPI recebeu também o computador pessoal de empresário, um laptop. Foi apreendido ainda todo o arquivo da Medley Medicamentos, de sua propriedade. A CPI investiga se Negrão também lavou dinheiro na conta de outro piloto que a Medley patrocina no momento, no exterior. Na casa de Sozza foi recolhida uma CPU (central de processamento de dados) e outras cinco em sua empresa, a Dog Center.
Todas as informações contidas nos computadores serão cruzadas com o relatório final do caso PC Farias (Paulo César Farias), o caixa de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. As informações também serão checadas com denúncias de envio de dinheiro para o exterior durante o governo Collor.
Policiais - A CPI decidiu hoje enviar "diligências" ao Espírito Santo, Alagoas, Pará, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Serão convidados a participar das diligências dos parlamentares juízes, promotores e equipe da Polícia Federal em cada Estado. No Rio, será ouvida Maria Madalena Bezerra dos Santos, mãe de Alda Inês, ex-namorada do traficante Fernandinho Beira-Mar.
Os parlamentares querem ouvir a partir desta quarta-feira (01) alguns policiais de Campinas que estariam apresentando "sinal exterior de riqueza". Um dos policiais, disseram os parlamentares, só anda de Mercedes Benz e outro de BMW, mesmo ganhando salário de R$ 800,00. A CPI descobriu que um dos policiais envolvidos com o tráfico foi morto recentemente. Em Ribeirão Preto, a CPI já identificou dois policiais que estariam envolvidos com o narcotráfico na cidade.


