Computadores, o grande desafio de 99
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sexta-feira, 01 de janeiro de 1999
Neil Winton Reuters 
Mesmo se a bomba do milênio não explodir nos computadores do mundo daqui a apenas um ano, 1999 corre o risco de ver um crescente pânico conforme as pessoas de vários lugares tomam precauções contra a falha do computador que pode ser causada pelo ano 2000. Especialistas dizem que os países mais vulneráveis são o Japão, França, Rússia e Brasil, e o setor que corre mais riscos é o de utilidade pública, especialmente o de geração de energia.
Ano que vem veremos períodos de calma serem quebrados por notícias ocasionais prevendo falhas de sistemas de computadores, disse o Dr. Ross Anderson do Centro de Pesquisa de Segurança em Computadores da Universidade de Cambridge. Meu próprio sentimento é de que perto de agosto ou setembro o pânico irá começar, com pessoas estocando comida e notas bancárias. Então toda a coisa se tornará uma profecia que se auto-alimenta.
A bomba temporária tem origens triviais. Nos dias iniciais da computação, programadores pouparam o que então era um espaço precioso abreviando os anos para seus últimos dois dígitos. Os programadores sabiam que isso iria causar problemas na virada do século porque os computadores não seriam capazes de entender o 00 do ano 2000, e iriam quebrar ou começar a vomitar dados fragmentados. Mas presumiram que a tecnologia estava evoluindo tão rápido que estes programas seriam história então.
Eles estavam errados - e agora o medo é que sistemas de dados antigos que carregam a bomba do milênio ou o bug do milênio possam espalhar desastre por todo o mundo em tudo, desde a defesa, transporte e telecomunicações até energia e serviços financeiros. Conforme 1999 progredir, datas antecipadas propositalmente devem fornecer pequenas prévias do caos que pode começar quando os relógios baterem meia-noite no dia 31 de dezembro de 1999.
A primeira delas é o dia primeiro de janeiro de 1999. Programas usados em alguns sistemas contábeis operam um ano inteiro na frente uma vez que empregam datas renovadas para prêmios de seguros e empréstimos bancários - e podem quebrar quando alcançarem além do dia primeiro de janeiro de 2000.
De acordo com Margaret Joachim, coordenadora do Ano 2000 na companhia de serviços de processamento de dados Electronic Data Systems Corp, há outras datas no próximo ano que podem dar início a falhas em computadores. Dia 9 de abril de 1999, o 99º dia do ano, e o dia 9 de setembro de 1999, que pode ser gravado como 9-9-99. Isto porque programadores geralmente usam números nove como desativadores de programas. Uma fileira de noves pode significar não faça mais isso, disse Joachim.
As regiões do mundo estão em estágios diferentes de preparo para o problema. De acordo com o Grupo Gartner, uma consultoria de informação tecnológica, os Estados Unidos estão melhor preparados, seguidos pelo Canadá, Austrália, África do Sul, Israel e Grã-Bretanha.
No final da lista está o Brasil, a oitava maior economia do mundo e um grande produtor de componentes industriais, mercadorias e grãos.
O Brasil não deve ser capaz de confinar os problemas a suas fronteiras, de acordo com uma recente reportagem de Edward Yardeni, economista-chefe do Deutsche Morgan Grenfell em Nova York.
A falta de ação do Japão também está causando preocupação. O governo japonês disse no mês passado que áreas importantes como as de finanças, transporte, energia, telecomunicações e medicina ainda não deram início às preparações para o ano 2000.
O governo de Hong Kong disse que 80% de seus sistemas de computadores importantes estão prontos para o ano 2000. Mas está preocupado com as pequenas e médias empresas. A Índia não está esperando ser exposta a muitos danos devido a seu pequeno número de computadores - apenas cerca de 2,3 milhões em uma nação de cerca de 950 milhões. Por outro lado os grandes cérebros indianos das firmas de software receberam pedidos no valor de US$ 1,5 bilhão para consertarem os problemas do ano 2000 por todo o mundo, de acordo com Dewang Mehta, diretor-executivo da Associação Nacional de Companhias de Software e Serviços.
Na China, autoridades declararam que todos os sistemas de computador do governo precisam ser reparados em março, e os testes completados até setembro de 1999.
Anderson, da Universidade de Cambridge, disse que na Europa Ocidental, a França estava sob maior risco, com falhas de computadores podendo acontecer em maior número no setor público e especialmente no de utilidades públicas.
Quaisquer falhas podem rapidamente se tornar um problema para os vizinhos como a Grã-Bretanha, que recebe energia elétrica da França.
Ainda é uma grande questão como a França vê a escala do problema, disse Chris Webster, chefe dos serviços do ano 2000 em Cap Gemini.
Há uma chance real de que possa haver alguma perda de serviços. Quem, quando, onde ou por que? Impossível de dizer. Será uma perda completa de energia, flutuações na voltagem?
E há uma grande falta de informações por parte do setor de utilidades e sobre o que eles esperam que irá acontecer. De acordo com Patrick Ward, especialista do Ano 2000 do JP Morgan, os setores de utilidades da Europa Oriental e da Rússia são uma grande preocupação, entre outras coisas porque a Rússia fornece 40% da energia da Alemanha.
Se algumas falhas de sistemas forem ocasionadas pela chegada do dia primeiro de janeiro de 1999, pode ser uma bênção disfarçada.
Isto irá envolver sistemas contábeis, de planejamento e de orçamento mais do que sistemas operacionais que executam negócios do dia-a-dia, disse Webster. Isto dará mais experiência em focar os erros e saber como lidar com eles.


