Computador de Naya foi violado
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Luciana Nunes Leal 
Rio, 20 (AE) - Os moradores do edifício Palace 2, que desabou no dia 22 de fevereiro de 1998, na Barra da Tijuca, descobriram que o computador da construtora Sersan usado pelo empresário e deputado cassado Sérgio Naya foi violado um dia depois de ter sido apreendido e lacrado pela Justiça. Segundo o analista de sistemas Ruy Feital, que morava no apartamento 1203 do Palace, foram apagadas informações registradas no disco rígido entre os dias 2 de março de 1997 e a mesma data do ano seguinte.
O computador foi apreendido no dia 3 de março de 1998, mas continou, lacrado, na sede da Sersan. Depois de trabalhar durante toda a madrugada tentando resgatar as informações desaparecidas, Ruy garante que o micro foi ligado às 15h28 do dia 4 de março e às 15h52 continuava sendo manipulado.
"Queremos saber de quem era a responsabilidade pela guarda do micro e por que o lacre pôde ser violado. O fato é que agora estamos tentanso resgatar na memória do computador tudo que foi apagado", disse Ruy, que só encontrou documentos "irrelevantes" no computador. Segundo o analista de sistemas, o computador inicialmente ficou na Sersan, de onde foi transferido para o Instituto Carlos Éboli.
A distribuição de cópias do disco rígido do computador para o Ministério Público, a CPI do Narcotráfico e os moradores do Palace foi autorizada pelo juiz da 4ª Vara de Falência, Marcel Duque Estrada. O procurador-geral do MP, José Muiños Piñeiro, determinou que os dados comecem a ser analisados na próxima segunda-feira. Aos promotores caberá também a investigação sobre as circunstâncias da violação do computador, se ficar constatado o indício de fraude. Os deputados da CPI querem apurar a suspeita de que Sérgio Naya teria envolvimento com o traficante Fernandinho Beira-Mar.
Para os moradores do Palace, no computador podem estar arquivadas provas de que foram comprados, com conhecimento de Sérgio Naya, materiais de construção de baixa qualidade, a preços mais baixos. "Com isso, conseguimos derrubar a tese da defesa de Naya que o problema foi simplesmente um erro de cálculo", diz a médica Bárbara de Alencar, que perdeu a filha, Luiza, de 12 anos, no desabamento. Morreram também o pai de Luiza, Milton, a madrasta, Rosângela, e o irmão caçula, Miltinho
de 4 anos.


