Compulsório cai, mas clientes tem pequeno benefício
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Márcia de Chiara e Cláudia Bredarioli 
São Paulo, 10 (AE) - Um estudo realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que a última redução dos compulsórios sobre depósitos à vista, ocorrida na metade de março e que liberou R$ 3,4 bilhões para os bancos, não provocou a queda esperada nos juros do cheque especial cobrados do consumidor.
De um universo de 19 grandes bancos de rede analisados, oito aumentaram as taxas mínimas e máximas, cinco instituições financeiras reduziram o custo mínimo e aumentaram o máximo e somente dois bancos cortaram ambas as taxas, de acordo com avaliação da Anefac. A pesquisa considerou os juros mensais apresentados diariamente no site do Banco Central (BC) entre os dias 14 de fevereiro, um mês antes da queda do compulsório, e 30 de março.
O vice-presidente da Anefac e responsável pela análise, Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz que, de maneira geral, o consumidor não foi beneficiado. Na sua avaliação, a maioria dos bancos fez uma jogada de marketing, reduzindo taxas mínimas - que atingem número pequeno de correntistas - e aumentando ou mantendo as taxas máximas, cobradas de grande parte dos clientes.
"A concessão é sempre feita para quem não precisa", observa o professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho. O resultado da pesquisa não surpreendeu o especialista. O problema, diz, é falta de concorrência.
Os bancos que aumentaram as taxas contestam os critérios adotados na pesquisa da Anefac. O principal argumento das instituições financeiras para o aumento dos juros é o maior ou menor número de dias úteis no período considerado no cálculo dos índice mensais. Os bancos informam ao BC o custo diário dos financiamentos e a instituição projeta a taxa ao mês, levando em conta 30 dias corridos e os dias úteis desse período.
O diretor de Produtos do Unibanco, Rogério Estevão, explica que, por esse motivo, os valores não correspondem à realidade. Além disso, argumenta, a taxa informada ao BC reflete o custo de captação passada da carteira de crédito. Segundo o Itaú, a diferença em relação ao valor publicado no site do BC deve-se ao fato de a informação enviada referir-se aos contratos vigentes. O custo apresentado diariamente mudaria, então, conforme o vencimento desses contratos, válidos por 30 dias.
O Safra informou que reduziu os juros máximos e mínimos. O argumento apontado pela instituição, assim como pelo Citibank, reforça a questão do período de maior ou menor dias úteis.
O diretor de Produtos do BankBoston, Nilson Cavalcante, diz que não alterou taxas. O diretor Financeiro do Sudameris, Rafael Cardoso, reafirma o argumento dos dias úteis e diz que a redução do compulsório só passou a ter efeito a partir de 28 de março.
O Banco do Brasil optou por reduzir só a taxa mínima por causa do compulsório. O BB atribui também o aumento da taxa máxima ao maior número de dias úteis. A Caixa Econômica Federal reforça que a metodologia distorce o que ocorre nas agências. Segundo a superintendente Nacional de Produtos Pessoa Física, Celina Lopes, outro fator seria a inclusão de impostos e taxas no cálculo do BC. A Caixa optou por não alterar os valores mesmo com a queda do compulsório. "Mesmo assim, estamos analisando a possibilidade de redução."
O BC esclarece que a única possibilidade de haver distorção é se os bancos estão apurando a taxa diária por um critério diferente do usado pelo governo para chegar ao custo mensal. Os técnicos da instituição informam que a taxa do cheque especial inclui os impostos da operação.


