Para alguns estudiosos, a compulsão pelo reino dos botões é definida como tecno-ansiedade. O nome, entretanto, importa menos que os prejuízos em jogo. Para Wolney Lima Suica, de 22 anos, a fissura por lançamentos é sinônimo de problemas financeiros. Em menos de cinco anos, já teve mais de 30 celulares. ''Troco de aparelho todo mês. Cheguei a deixar contas sem pagar porque preferia comprar o celular novo. Meu recorde foi sete meses, tempo que fiquei com o primeiro celular'', conta.
Rodrigo Ferreira Kannebley, de 34, é outro viciado em tecnologia. Diz que já não se lembra como é passar a semana toda sem acessar internet ou usar celular. ''Não acredito nessa história de sair de férias e desligar do mundo, mas sou um viciado controlado. Gosto do assunto, mas já não sou impulsivo como antigamente. Com o tempo, percebi que a gente se frustra quando quer ter a última geração de tudo. Os aparelhos ficam velhos rapidamente'', opina.
As tecnopatias preocupam os médicos porque podem camuflar outros transtornos. ''A internet, por exemplo, não tem poder em si mesma. Atraídas, as pessoas acabam se perdendo dentro dela por algum motivo. Muitas vezes, a pessoa não consegue sair de casa, tem síndrome do pânico. Outras vezes, tem dificuldades de relacionamento'', explica o especialista do Proad, Vieira Júnior.
Retração em demasia parece ser o caso da estudante Maria Luísa Pauli, de 15 anos, que viu as notas despencarem quando ganhou o computador. ''Por ser muito tímida prefiro conversar pelo MSN (programa de mensagens instantâneas), tenho vergonha de chegar perto de alguém para puxar assunto. Quando vi, estava viciada. Era uma das alunas que mais retirava livros na biblioteca e nem isso estava fazendo mais.''
Enquanto hipnotiza alguns, a web aterroriza outros. Recente pesquisa realizada pela IBM com 700 internautas constatou que todos temem mais crimes virtuais que delitos físicos. Um dos líderes da IBM, David Mackey, tratou de achar um novo termo para descrever o fenômeno: cyberpânico. Ao que parece, o mundo das neuroses high tech também é espaço para os fissurados em inovações linguísticas. (A.E.)

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