Mais uma vez a sabedoria popular foi confirmada cientificamente. Um estudo desenvolvido pelo professor Rivaldo Niero, do curso de Farmácia do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), comprovou as propriedades medicinais de três plantas nativas brasileiras no tratamento de processos dolorosos e inflamatórios.
‘‘Selecionamos três plantas da flora brasileira baseados na medicina popular, duas delas daqui mesmo de Santa Catarina, a flor de barbalho ou rosa do campo (Menadevilla illustris) e a amora branca ou amora do mato (Rubus imperialis), e uma de Minas Gerais, o sarandi negro (Sebastiania schottiana). Depois, isolamos os compostos, para tentar separar os principais constituintes químicos (princípio ativo) responsáveis pelo efeito conhecido tradicionalmente’’, diz Niero.
O projeto de pesquisa ‘‘Obtenção de novas moléculas com atividade analgésica e antiinflamatória a partir de plantas medicinais brasileiras’’, resultou em tese de doutorado em Química Orgânica, defendida por Niero em agosto último na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde descreve os resultados fitoquímicos e farmacológicos obtidos com as três espécies. Os testes de laboratório foram realizados utilizando camundongos.
Os resultados mais promissores foram conseguidos com a Rubus imperialis, utilizada tradicionalmente para processos dolorosos e diabetes. Foram isolados setes compostos, dos quais um, o Niga.IchicosideoF1, apresentou capacidade analgésica 30 vezes mais potente do que medicamentos usados no mercado, como a aspirina e o paracetamol.
A Mandevilla illustris, utilizada como antiinflamatório e contra picada de cobra, teve sete compostos isolados, dos quais dois apresentaram ação antiedematogênicas. ‘‘Esses resultados são inéditos na literatura química, são moléculas novas’’, explica Niero.