A equipe técnica do Instituto Adolfo Lutz, encarregada de realizar pesquisas sobre os dois casos fatais de hantavírus registrados em Tupi Paulista e Nova Guataporanga, no oeste do Estado de São Paulo, em março e abril, admitiu ontem que entre os ratos silvestres capturados naqueles municípios para análises é alto o número de animais contaminados. Isto indica a possibilidade de ocorrerem novos casos da doença em humanos. Mas os especialistas envolvidos não acreditam no risco de uma epidemia.
Os técnicos acreditam que os vírus responsáveis pela contaminação daquelas pessoas podem ser de espécies diferentes das observadas nos três primeiros casos registrados da doença em São Paulo, em 1993, no município de Juquitiba, e em 1996, em Franca e Araraquara.
No encerramento de mais uma etapa da captura de roedores silvestres - hospedeiros do vírus -, os biólogos Luiz Eloy Pereira, Akemi Suzuki e Renato de Souza, preferiram não antecipar detalhes dos estudos de laboratório que estão sendo realizados em conjunto com técnicos norte-americanos. Pereira prometeu que dentro de um mês o levantamento será completado e poderá ser feita divulgação sobre os últimos casos da doença em São Paulo.
ArmadilhasOs técnicos estiveram novamente em Tupi Paulista para prosseguir no trabalho de captura de roedores silvestres. Segundo o biólogo Luiz Pereira, 126 animais caíram nas armadilhas espalhadas na zona rural de Tupi Paulista apenas nesta semana.
Em breve eles realizarão o mesmo trabalho em Nova Guataporanga. Até agora, os pesquisadores capturaram 622 ratos, dos quais 496 tiveram orgãos, vísceras e sangue submetidos a análises de laboratório. O material suspeito de infecção foi enviado para estudos mais detalhados no Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC), em Atlanta, nos Estados Unidos.
Outra morteOs levantamentos estão sendo realizados também em Guariba, onde foi registrado mais um caso de morte por Hantavirus este ano. Naquele município foram capturados 326 roedores. O índice de captura que alcançou 90% em relação às armadilhas instaladas, o que, segundo os técnicos, demonstra o elevado índice populacional de ratos naquela cidade. (AE)

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