Compreender para respeitar a diversidade
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segunda-feira, 05 de novembro de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - ''Há muita ignorância a respeito da diversidade sexual. Por desconhecimento, a família sofre e o homossexual também.'' A observação da psicóloga e professora sênior da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mary Neide Damico Figueiró, retrata a realidade acerca do tema e mostra que é necessário, cada vez mais, buscar informações para combater a homofobia.
Ela defende que é importante discutir a diversidade sexual porque a sociedade sempre ignorou o assunto, mas os ''homossexuais, transexuais e travestis sempre existiram, desde que a humanidade surgiu. Inclusive, há vários documentos que comprovam isso''. ''Nunca se parou para compreender essa diversidade. O que vemos é uma sociedade muito repressora em relação ao sexo e heterossexista, ou seja, o que vale é o padrão heterossexual dominante e quem está fora disso é considerado anormal'', aponta.
Ainda nos dias de hoje, segundo a psicóloga, muitas pessoas - cerca de 40% da população - pensam que a homossexualidade é doença, mesmo diante do parecer da Organização Mundial de Saúde que em 1990 a retirou da Classificação Internacional de Doenças (CID). ''Além disso, desde a década de 1970 organismos internacionais diziam não ter o que se curar porque não é doença e que essas pessoas precisam de uma terapia para que se compreendam, se aceitem melhor, saibam lidar com os preconceitos e vivam de uma forma satisfatória'', completa.
Mary Neide esclarece que ser homossexual também não é uma opção, mas uma orientação sexual. A pessoa não nasce com a sexualidade definida, mas à medida em que vai se desenvolvendo, vai percebendo se tem mais atração pelo mesmo sexo ou pelo oposto. ''Geralmente, entre 10 e 20 anos, a pessoa se dá conta se a atração que ela sente é pelo mesmo sexo'', afirma. A psicóloga reitera, ainda, que há um conjunto de fatores de ordens genética e hormonal que pode influenciar tanto na orientação heterossexual quanto na homossexual.
Para ela, o caminho de combate à violência praticada contra homossexuais, transexuais e travestis é o esclarecimento feito por meio da educação moral pautada na ciência. ''O assunto deve ser tratado desde a educação infantil na escola e em casa, em todos os cursos universitários e também na formação continuada dos profissionais de todas as áreas'', defende. ''Tanto família quanto escola precisam ensinar a criança desde pequena a respeitar o diferente em todos os quesitos, não só o sexual'', completa.
Conforme Mary Neide, a homofobia pode ter origem na ignorância sobre o assunto, na falha da formação moral, na ligação a um movimento religioso conservador ou, em muitos casos de agressões, no medo de assumir a própria homossexualidade. ''Há pessoas que agridem o outro por não suportarem a possibilidade de também terem desejos homossexuais.''
O tema foi tratado durante o minicurso ''Diversidade Sexual: compreender para respeitar'', realizado na última quarta-feira na UEL, com a participação de aproximadamente 35 pessoas entre estudantes universitários e profissionais das áreas de Direito, Ciências Sociais, Serviço Social, Biologia, Psicologia e Enfermagem, além de mães da comunidade.


