Compositor ainda está assustado
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Agência Estado e Agência Folha 
Segundo o compositor Wellington Camargo, o filho Daniel, de 5 anos, é uma das razões pela qual suportou o cativeiro durante 95 dias. Onde não tem força é que temos que encontrar a força, afirmou Wellington, assegurando que no cativeiro, só pensava em Jesus e Deus, além de Daniel. Foi difícil, dolorido, mas por ele (Daniel), encontrei forças para lutar.
A psicóloga Margarette Romano confirma que Wellington ainda não aceitou a mutilação. Ele ainda não superou. Wellington teve dois terços da orelha esquerda cortada pelos sequestradores, que enviaram o pedaço como comprovante de vida da vítima.
A psicóloga disse que ele está assustado com tudo o que aconteceu e também com a repercussão do seu sequestro - assédio da imprensa, da polícia e da população. É natural que ele esteja assustado pelos três meses que passou e ansioso com toda essa agitação. Mas ele está bem, disse a psicóloga.
Wellington não dormiu bem a primeira noite que passou no Amparo Hospital e Maternidade, onde está internado desde anteontem. A médica Mirian Davini, da equipe médica que o atende, disse que o sono ruim está condicionado ao sono do cativeiro, onde Wellington ficava sempre alerta e preparado para o que pudesse acontecer.
Ele foi trocado de quarto, segundo o advogado e amigo da família Paulo Viana, porque estava com medo de tiros. A janela do quarto em que Wellington estava fica de frente para a rua, de onde se vê vários prédios. Viana disse que Wellington estava inseguro em ficar ali, alegando que poderia receber uma bala vinda de qualquer prédio. A família, então, propôs a ele que mudasse de quarto. Ele concordou.
A psicóloga disse que não há um prazo determinado para que Wellington seja acompanhado por ela. Não podemos determinar um tempo. Na medida em que for acontecendo coisas importantes na vida dele, vai se recuperando.
A médica Mirian Davini disse que o paciente quer que a cirurgia seja feita rapidamente, mas Wellington quer antes conversar com os seus parentes. A médica afirmou que é conveniente que essa reconstrução aconteça em breve para evitar que a cartilagem fique muito tempo exposta. É como uma fratura exposta de um osso, comparou a cirurgiã plástica. De acordo com o boletim médico divulgado ontem, Wellington, que é paraplégico, teve melhora no estado geral. Ele está hidratado. Melhoraram também as dores musculares da coluna vertebral. Ele poderá deixar o hospital hoje.


