Medo de escuro, de bicho-papão, de bruxa, de fantasma. Nada de anormal, considerando o imaginário infantil, mas o que fazer quando esses medos passam a ser substituídos por ''medos adultos'' e as crianças começam a sofrer de medo de sequestros, assaltos e guerras, tão frequentes atualmente nos noticiários de TV, jornal e rádio? Diante desse desafio, a psicóloga australiana Janet Hall esteve no Brasil, há duas semanas, para divulgar o livro ''Bicho-Papão Não Existe'' (Editora Fundamento), lançado recentemente, e que tem como proposta oferecer um manual prático de superação desses medos infantis ''modernos''.
Com uma linguagem simples e didática, Hall desmistifica os medos infantis e usa uma abordagem bastante compreensível e realista para tratar do assunto. Já no primeiro capítulo questiona os pais sobre a capacidade de lidar com o medo dos seus filhos e define como fundamental a percepção dos medos justificados e injustificados de uma criança, ajudando-a a diferenciar a realidade da imaginação.
Com a tarefa de traçar uma linha muito fina entre a garantia de liberdade e o estabelecimento de limites, a psicóloga define como primordial que os pais promovam um ambiente onde as crianças aprendam a se proteger. ''A aprendizagem acontece quando as crianças assumem riscos e se saem bem, e quando cometem erros e se corrigem. As crianças que confiam na sua capacidade de lidar com acontecimentos estressantes e com os desafios apresentados pela vida são menos vulneráveis ao medo'', diz Hall.
Na sua avaliação, o medo é uma ferramenta que serve também para proteger, mas alerta para as suas consequências negativas quando gera uma série de ansiedades e transtornos que impedem a criança de viver uma vida normal, podendo até levar ao desenvolvimento de fobias. Exemplifica vários tipos de reação e inclui exemplos de estudos de casos que ajudam a compreender o contexto do medo infantil.
A psicóloga também pontua algumas situações que podem ajudar a perpetuar os medos infantis como as ameaças, os castigos e a superproteção. Mas o livro é primordialmente voltado para as orientações aos pais e aos filhos. Os últimos três capítulos são dedicados exclusivamente para as crianças. Um deles propõe o desenvolvimento de um plano pessoal para a criança se sentir mais forte e corajosa. O diálogo interior, para aprender a perceber a intensidade do medo que está sentindo, também é colocado como fundamental. Até a elaboração de um ''termômetro do medo'' é sugerido para que a criança possa visualizar as suas reações.
Com uma abordagem amorosa e ilustrações que devem agradar as crianças, o livro reforça a importância da linguagem positiva para que se promova segurança e harmonia entre pais e filhos. A imaginação é ressaltada como grande aliada na superação de medos e há exercícios práticos para os pais e os filhos. Além de dicas de relaxamento, são apresentados jogos que ensinam, de forma lúdica, lições simples e eficientes para uma vida mais saudável.

mockup