Competição em ligações interurbanas começa em 27 de junho
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 14 (AE) - A partir do dia 27 de junho a população brasileira terá de alterar a maneira como faz as ligações interurbanas nacionais e internacionais, inclusive as chamadas a cobrar. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou hoje a data do início da competição nas ligações de longa distância entre as operadoras de telefonia privadas. Os usuários dos 22 milhões de telefones fixos instalados no País terão que digitar os dois algarismos que identificam as operadoras quando forem fazer interurbanos, teoricamente escolhendo aquela que oferecer tarifas mais baixas e melhor qualidade de serviço.
A Anatel apresentou hoje a campanha publicitária, que será iniciada dia 19 de maio, para ensinar novamente a população a fazer ligações interurbanas. A partir de primeiro de junho, as operadoras também poderão iniciar suas próprias campanhas para destacar os seus códigos de identificação e esclarecer a população local. Segundo informações do mercado publicitário, só a Embratel pretende investir um total de R$ 40 milhões em sua campanha nacional.
"A mudança não será tranquila", admitiu o vice-presidente da DeninsonBrasil, agência contratada para fazer a campanha da Anatel, Luiz Alberto Marques. A campanha custará R$ 4 milhões. "Se as coisas não estiverem absolutamente entendidas, haverá um trauma", afirmou, referindo-se aos problemas entre os usuários que podem ocorrer nos primeiros dias do novo sistema.
As companhias de telefonia, que se reuniram hoje com a agência para conhecer a estratégia de divulgação, garantiram que tecnicamente estarão preparadas para atender às mudanças no sistema de telecomunicações. A preocupação das operadoras é que, nos primeiros dias, as dúvidas e os erros dos usuários possam levar a um volume maior de linhas ocupadas e consequentemente ao aumento do congestionamento nas redes telefônicas.
Para evitar mais problemas, a Anatel decidiu que, em um primeiro momento, as ligações entre cidades vizinhas, que dividem a mesma área urbana e o mesmo código DDD, não precisarão ser tratadas como interurbanas. Assim, para se fazer uma chamada entre São Paulo e as cidades da região do ABC (que tecnicamente são interurbanos), não será necessário discar o código da operadora e o código "11". O mesmo valerá para ligações entre Rio de Janeiro e Niterói.
Por outro lado, as ligações entre cidades que hoje usam o mesmo código DDD, mas não dividem a mesma área urbana, precisarão usar o número da operadora e o da área. Será o caso, por exemplo, de chamadas entre São Paulo e Itu, que hoje, para o usuário, é igual a uma ligação local, apesar de ter uma tarifa um pouco mais cara.
A Anatel insistirá, em todas as peças publicitárias, que a mudança na forma de se fazer uma ligação de longa distância vale apenas para as chamadas originadas de aparelhos fixos. "Por enquanto, nas ligações de longa distância feitas pelos aparelhos celulares ainda não será possível escolher a operadora", explicou o conselheiro da Anatel, Antônio Carlos Valente.
O usuário também terá que reaprender a fazer chamadas a cobrar. Nas ligações entre cidades diferentes, será mantido o primeiro número "9", seguido pelo algarismo "0", que identifica uma chamada de longa distância. Depois, será necessário discar os números da operadora, seguindo-se o código da área e, por fim, o telefone do destinatário. Se a ligação a cobrar for dentro da mesma cidade não será preciso escolher a operadora. O usuário, porém, terá de discar "9-0-9-0" antes de identificar o código da cidade e o telefone desejado.
O usuário terá que ficar atento para as promoções das operadoras e para sua identificação. A Telefônica, por exemplo, será o número 15. Somente a Embratel (21) e, a partir de janeiro do ano 2000, a Bonari (23), que concorrerá em nível nacional com a Embratel, poderão fazer ligações em todo o País e chamadas internacionais. A Telemar terá como código de acesso o número 31 em todas as 16 empresas regionais, e sua concorrente na região, a Canbrá Telefônica, optou pelo número 85.
A Megatel, que concorrerá com a Telefônica, ainda não definiu seu número. A Tele Centro Sul e suas 9 empresas passam a ser identificadas pelo código 14 e a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) pelo número 51. A Sercomtel, concessionária da região de Londrina, preferiu o número 43 e a CTBC Telecom, de Uberlândia, e que ainda atua no interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, escolheu o número 12. A Companhia Telefônica de Ribeirão Preto (Ceterp) usará o código 16.


