São Paulo, 03 (AE) - A Compaq, líder do mercado brasileiro de microcomputadores, tem planos ambiciosos para este ano, independentemente do que poderá ocorrer daqui para a frente na economia brasileira. Para ampliar sua imagem, a empresa pretende investir US$ 10 milhões em propaganda. Em 1997, o gasto publicitário foi de US$ 6,5 milhões.
A publicidade é apenas uma pequena parte do que espera realizar. Depois da aquisição da Digital, no ano passado, a Compaq encorpou-se e, com isso, quer mostrar aos consumidores - pessoa física e jurídica - que no mercado de informática ela não é apenas um fabricante de microcomputadores, mas, principalmente
uma companhia que oferece equipamentos e soluções de integração de sistemas, comunicação de dados, servidores e telecomunicações.
A Compaq tem uma boa razão para estar otimista com o mercado brasileiro. Com os novos segmentos em que começou a atuar no Brasil, a empresa entrou num mercado de US$ 11,9 bilhões, enquanto, anteriormente, quando atuava apenas na produção de micros, o bolo em disputa restringia-se às vendas de US$ 2,8 bilhões. "Queremos crescer sempre o dobro do mercado", disse hoje o presidente da Compaq do Brasil, Michael Shoemaker.
Esse otimismo também tem como respaldo as vendas da Compaq no ano passado, principalmente no último trimestre do ano, já com a Digital incorporada, quando o crescimento chegou a 27% em comparação com o mesmo período de 97. Esse porcentual de vendas superou o índice de crescimento da matriz.
O desempenho do ano não foi tão estrondoso. Mesmo assim, para um faturamento de R$ 713 milhões em 98, a Compaq obteve 9% de crescimento em vendas em relação ao ano anterior.
A produção de máquinas foi de 295 mil unidades, com giro de estoque chegando a 15 vezes - em dezembro o giro alcançou 26 vezes.
A palavra-chave para a atuação da Compaq nos negócios brasileiros, segundo Shoemaker, é parceria. A empresa sabe que esses tempos turbulentos não deverão permanecer por todo o ano.
Crise - "Com o leque de produtos e serviços que temos a oferecer será possível domar a crise", contou o presidente. "Quero ser o melhor parceiro na área de informática do Brasil."
Os primeiros dias de janeiro chegaram a assustar a empresa, com o dólar ficando sem referencial. "Tivemos aumento de 30% a 50% nos nossos produtos", revela o diretor-financeiro da Compaq, Luca Sacay. No entanto, segundo ele, não foi nada que a empresa não pudesse resolver. "Honramos os compromissos que estavam em carteira com o dólar vigente antes da crise", disse. Hoje, a Compaq estava operando com a moeda norteamericana valendo R$ 1,70.
A administração de vendas da empresa está sendo feita diariamente. Como a companhia precisa repor estoques - pelo menos 90% dos componentes são importados -, é necessário fazer uma avaliação para não haver descasamento entre a compra de matéria-prima e venda do produto final. "Vamos brigar para termos preços competitivos", afirma Shoemaker.

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