Companhias propõem a divisão de rotas para reestruturar setor11/Mar, 11:24 Por Irany Tereza Rio, 11 (AE) - Enquanto o governo federal trabalha num projeto de reestruturação da aviação comercial, que exigirá a profissionalização da gestão das empresas, com a absorção de novos sócios, as grandes companhias propõem a divisão de rotas como alternativa para reestruturar o setor. O estabelecimento de nichos de operação vem sendo defendido isoladamente por empresários, apesar de ainda causar polêmica. A possibilidade de fusão das quatro maiores companhias, levantada no fim do ano passado, já está praticamente descartada pelos empresários do setor, que não conseguiram chegar a um entendimento sobre que empresa incorporaria outra. A divisão de rotas também não é consenso entre Varig, Vasp, Transbrasil e TAM. "Não vamos sair de nenhum destino na Europa", avisa o presidente da Varig, Fernando Pinto, que tem a maior participação nos vôos internacionais. Ele afirma que não há conversas entre os presidentes das companhias para a separação de mercado ou formação de pool, mas admite que já tomou conhecimento de sugestões isoladas feitas por concorrentes. A empresa, do mesmo modo, não se dispõe a sair de nenhuma rota para os Estados Unidos, outro grande mercado. A única concessão feita por Fernando Pinto é o trajeto Brasil-Suíça, que a Varig abandonou temporariamente, mas não faria objeção a um afastamento definitivo. A rota, que era feita também pela Vasp, hoje está sendo operada com exclusividade pela Swissair. Juntas, as quatro grandes empresas nacionais acumulam dívidas de R$ 7,9 bilhões, segundo dados de seus balanços patrimoniais, de janeiro a setembro do ano passado (o fechamento do ano ainda não foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários). O valor equivale a 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Na concorrência com empresas estrangeiras, elas muitas vezes não conseguem suportar os custos de vôos de longa distância com ocupação insuficiente dos aviões. Cartel - A definição de mercados específicos para cada uma não é vista como formação de cartel pelo consultor Antonio Henrique Browner, ex-diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), da Varig e da Vasp. "Não é cartel porque esse mercado é muito peculiar", diz, lembrando que, por enquanto, está havendo apenas "apelos individuais" dos empresários pela adoção da medida. "Poderia ser uma filosofia semelhante à do pool, adotada na Ponte Rio-São Paulo", cita como exemplo. Para Browner, que presta consultoria independente a organizações de aviação civil internacionais, "o importante para as empresas é planejar rotas para evitar o excesso de oferta". O pool Rio-São Paulo foi suspenso por causa de divergências entre as empresas participantes sobre a parcela de cada uma na rota. O BNDES, que chegou a tentar entendimentos com os empresários para buscar um novo modelo para o setor, decidiu deixar a solução sob responsabilidade de Brasília e das empresas. Em seu discurso de posse, no início do mês, o presidente do banco, Francisco Gros, disse que vai esperar a apresentação de propostas para que seja decidido o apoio ou não do governo. "Existe uma preocupação clara do governo, que está acompanhando o processo com bastante cuidado", afirmou. "É evidente que precisa haver algum tipo de reestruturação do setor, mas, mais uma vez, esse processo tem de começar com o entendimento entre os empresários." Ele garantiu que o BNDES não formulará nenhum modelo: "Não queremos brincar de Deus e escolher ganhadores e perdedores".