Companhia jovem luta para conquistar mercado latino-americano
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Benjamin Cramer, da Associated Press (assinatura obrigatória) 
Bogotá (AE-AP) - Em meio à música tecno e às cores vivas do WebCafe de Bogotá, onde os sanduíches são caros mas a conexão à Internet é barata, Lucho Sabogal é um mestre. Sabogal, um estudante de computação de 23 anos, ajuda os clientes do café a navegarem no cyberespaço. Em uma destas oportunidades ele topou com a StarMedia, uma jovem companhia empenhada em dominar o mercado latino-americano da Internet, um dos mercados de crescimento mais rápido na rede. Os latino-americanos estão se lançando à exploração na rede em um ritmo vertiginoso. Os analistas esperam que os entre cinco e seis milhões de usuários atuais da Internet se multipliquem para cerca de 19 milhões nos próximos três anos e meio. E a StarMedia, fundada por um jovem empresário uruguaio, se propõe a conquistá-los com um portal de acesso à rede em espanhol e em português, e com serviços similares aos do Yahoo e do AltaVista, ambos em inglês.
Até agora existe um crescente número de competidores que atraem os aficionados latino-americanos de computadores lhes oferecendo serviços em seu próprio idioma. "Eu gosto disso. É verdade que é o site maior da Internet para os latino-americanos", afirma Sabogal, soando quase como um dos anúncios da StarMedia agora tão comuns em altdoors, rádio e televisão. Mas Sabogal - que passa 35 horas por semana conectado e utiliza a StarMedia para consultar correios eletrônicos, jogos e notícias - também simboliza o grande obstáculo que a empresa encara para conquistar a lealdade dos latino-americanos: seu inglês é muito limitado, apesar disso não o deter para, cada vez com maior frequência, se conectar a páginas em inglês.
Visitando o café, Nelson Franco, um engenheiro químico de 32 anos, afirma que seu inglês também é bastante rudimentar. No entanto, assegura que as únicas coisas que lê em espanhol na rede são os jornais locais. "Não tem nenhum sentido usar a Internet em espanhol. O inglês é a linguagem universal", assegura Franco. "E o que está em inglês é muito mais atual", adiciona. O diretor executivo da StarMedia, Fernando Espuelas, de 32 anos, tem muito trabalho para fazer. Muitos latino-americanos já se acostumaram com o inglês na Internet e não desejam mudar, nem sequer para um serviço em seu próprio idioma. Segundo dados da própria empresa, só 2,5% de todas as páginas na web estão em espanhol. É a essa pequena esquina da Internet que os usuários da StarMedia vão quando exploram através dos diferentes campos que incluem notícias, esportes, finanças, viagens e compras.
Apesar dos obstáculos, a StarMedia conta com muito otimismo e dinheiro. A primeira oferta de ações da empresa, realizada em maio pelo Nasdaq, gerou US$ 105 milhões em operações de capital e fez o valor de cada ação saltar de 15 para 66 dólares na primeira semana. "A Internet tem o potencial de unir a América Latina, de reunir novamente as pessoas", disse Espuelas em uma entrevista. A empresa também espera ganhar usuários na Espanha e na crescente comunidade hispânica nos Estados Unidos. No final do ano passado, a Colômbia tinha cerca de 350 mil usuários na rede - cerca de 1% da população -, mas espera-se um crescimento de 50% para 1999, segundo a consultoria norte-americana International Data Corporation (IDC). A IDC prevê taxas de crescimento similares para toda a região - de 500 milhões de habitantes -, mas devendo ficar um pouco mais alta no Chile, Argentina e México, e um pouco menor no Brasil.
A grande desigualdade na distribuição de riqueza da região poderia ser outro fator a afetar o crescimento a passos largos dos serviços em espanhol na rede. A maioria dos entendidos em Internet na região pertencem a uma minoria acomodada que sabe falar inglês, pode adquirir equipamentos de computação e visita lugares como o WebCafe em Bogotá. Espuelas aposta que, conforme forem baixando os preços dos computadores e aumentando o acesso nos colégios públicos, mais gente fora das classes altas e que não sabem tanto inglês entrarão na rede e necessitarão de serviços como a StarMedia. A empresa enfrenta pelo menos outros três competidores no mesmo mercado: a sociedade entre a America Online e o Grupo Cisneros da Venezuela, uma aliança entre a Prodigy Communications e a telefônica do México, a TELMEX; e o Yahoo norte-americano, que já oferece um serviço em espanhol. Mas os analistas asseguram que a StarMedia, com sua solidez financeira e operações em sete países latino-americanos, tem chances de ganhar. "Não há nada que possa parar a StarMedia", disse Jason Calacanis, editor e diretor executivo da Silicon Alley Reporter. "Ela pode se converter em uma supermarca como a Coca-Cola ou a Disney".


