Companheiros de cela de chinês são ouvidos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
RIO - O delegado Marcelo Fernandes, que investiga as circunstâncias da morte do comerciante chinês Chan Kim Chang, determinou nova perícia nas instalações do presídio Ary Franco, no Rio, onde ele teria sido espancado por agentes penitenciários. Fernandes ouviu ontem 12 companheiros de cela de Chang. O delegado acredita que a análise de um cano d'água, que foi retirado da parede da sala de triagem supostamente no dia 26 de agosto, quando o comerciante chegou ao presídio, pode ajudar a esclarecer o que aconteceu. O chinês foi levado para a sala já machucado, depois de passar pela sala de disciplina.
Segundo os guardas que estavam de plantão e são acusados de agredir o comerciante, o cano foi arrancado por Chang durante suposto ataque de fúria - durante o qual ele teria se autolesionado, conforme tal versão. O delegado quer saber em que condições o cano foi retirado e se Chang poderia tê-lo feito mesmo bastante debilitado, como provou foto feita por um detento e divulgada na semana passada.
O conteúdo dos depoimentos dos presos ouvidos pelo delegado não foram divulgados até o fim da tarde de ontem. Outros quatro presos já prestaram depoimento. Testemunhas, que tiveram a identidade preservada, confirmaram que Chang foi torturado por três agentes, que foram auxiliados por três presos.
Segundo os relatos, ele foi surrado porque se recusou a dar a senha de um cartão bancário. Sob acusação de evasão de divisas, Chang foi detido no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio, quando tentava sair do País com US$ 30 mil.
Os agentes Denis Gonçalves Monsores, Everson Azevedo da Mota, Carlos Alberto de Souza Rodrigues, Ricardo Wagner Sarmento Alves, Ricardo Duarte Pires Valério e Raul Broglio Júnior foram presos por causa desses testemunhos.


