Companheiro é motivação para deixar de fumar
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domingo, 29 de agosto de 2010
Chiara Papali <Br>Reportagem Local 
São Paulo - O papel da esposa, do marido, de familiares, namorados e amigos de quem fuma ganhou nova relevância - agora eles são considerados fundamentais para estimular e apoiar o tabagista que quer parar de fumar. ''Mas, sem terrorismo'', enfatiza o pneumologista Sergio Ricardo dos Santos, coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Unifesp. Esse foi um dos temas do ''Workshop de Tabagismo - Entendendo a doença e os benefícios de parar de fumar'', evento promovido pela Pfizer com apoio da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), em São Paulo, em menção ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, que foi ontem.
A nova visão, segundo o especialista, tem relação com pesquisas que estudam o que motiva a decisão de abandonar o cigarro. ''Isso é importante para reconhecer a fase em que o tabagista se encontra, e isso vai diferenciar a abordagem'', explica.
São consideradas três fases em que o tabagista pode se encontrar. A primeira é a da negação, quando o fumante nega os riscos do ato de fumar e não admite sequer discutir o assunto. A segunda fase é quando a pessoa não foge do assunto e já contempla a idéia de deixar de ser fumante um dia. A terceira fase é daquele que já se decidiu e está interessado em discutir como fazer isso sem sofrer.
Para cada fase, a abordagem tem enfoques diferentes, mas é preciso motivar para a pessoa avançar de uma para a outra. ''E ela só muda se perceber que vale a pena'', afirma. No caso do fumante que se encontra na segunda fase, aponta Santos, o papel da família é fundamental, pois ele pode ficar na ambivalência entre as desvantagens e as vantagens de fumar por longo período. ''Isso pode se estender por 20 a 30 anos. Se não há motivação, o fumante fica na ambivalência eternamente'', alerta o médico.
Mas como motivar um fumante a parar de fumar? O primeiro passo, aponta o especialista, é discutir o problema, suas vantagens e desvantagens, mas ''não ser hipócrita de não reconhecer o prazer que o hábito traz''. Outro passo é propor mudanças no consumo atual, reduzir o número de cigarros diários por exemplo, e debater as novas regras sociais sobre o assunto, como a lei que proíbe fumar em locais fechados. Para aquele que já quer parar, a ideia é abordar como e o que é possível fazer, já que a maioria não sabe como pedir ajuda e que existe a possibilidade de tratamento.
Pesquisas mostram, segundo o pneumologista, que seis meses após o início das abordagens já acontece a primeira tentativa de parar de fumar. ''E quanto mais próxima a pessoa, maior o impacto no fumante. Por isso é tão importante que familiares e amigos se envolvam para ajudar o fumante a passar da segunda para a terceira fase. O profissional de saúde só recebe aqueles que já estão motivados, mas precisa ter acesso àqueles que ainda não estão'', ressalta.
* A jornalista viajou a convite da Pfizer


