O menino D.A.M., de 6 anos, foi poupado numa chacina em Anchieta, na zona norte do Rio, anteontem, por ordem do líder do grupo de dez homens que invadiu a casa de seu avô, Luciano Francisco Alves Filho, de 54 anos. Segundo uma testemunha, ele mandou que o garoto ficasse no banheiro com os olhos fechados e os dedos nos ouvidos e determinou aos outros criminosos que não o incomodassem. Em menos de três minutos, os assassinos dispararam mais de 150 tiros contra o dono da casa, a avó de D.A.M., Rita Diniz Alves, de 54 anos, e o seu tio Francisco Luciano Alves Neto, de 17 anos. O menino continua em estado de choque e, mesmo sob o efeito de sedativos, teve várias crises nervosas.
Os criminosos estariam à procura do bombeiro Marcos Francisco Alves, de 23 anos - também tio do garoto - que teria, dias antes, atingido dois ladrões quando tentavam roubar seu carro, em Anchieta. Os assaltantes seriam de uma quadrilha de traficantes do bairro e a chacina, de acordo com a polícia, foi uma vingança. ‘‘O menino ainda não deu uma palavra hoje, tem o olhar fixo para a frente, sente calafrios e chora muito’’, contou uma vizinha dos Alves.
Segundo outra vizinha dos Alves, D.A.M. sobreviveu por ‘‘compaixão’’ dos criminosos. ‘‘Ele é um menino obediente e franzino e isso deve ter pesado na decisão dos assassinos’’, avaliou. A mãe do menor, Patricia Alves, esteve no cemitério amparada por amigos e passou mal.
CrimeD.A.M. estava estudando num dos quartos da casa quando houve a invasão. Os assassinos, armados com pistolas e fuzis, discutiram com o avô do menino antes de disparar.
A polícia aponta dois criminosos, Lucinho e Gordinho, como os mandantes do crime, segundo o delegado Joel Carneiro da Costa.

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