Londrina - O primeiro dia de operação da Ecosystem Serviços Urbanos Ltda. foi marcado por problemas. A empresa vencedora da licitação para coleta do lixo reciclável em 55 mil imóveis de Londrina, que ofereceu a metade (R$ 43 mil) daquilo previsto em edital (R$ 92 mil), iniciou o serviço quase duas semanas depois de assinar contrato com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
A terceirizada utilizou um caminhão compactador para fazer o transporte do material até a a Cooperativa de Trabalho de Profissionais de Reciclagem de Londrina (Coocepeve). Ontem à tarde, nenhum dos três barracões da cooperativa aceitou toda a carga com produtos para serem segregados.
''A maioria desse material não dá para reciclar. Não vem nenhum saco inteiro. Se a ponta do lixo armazenado no caminhão está assim, imagina o resto que foi compactado. Mais de 50% estão perdidos'', reclamou a presidente da Coocepeve, Sandra Araújo.
Com os olhos marejados, ela lembrou de um passado não muito distante em que recicladores trabalhavam ilegalmente no lixão. ''A gente tentava viver catando migalhas, tentando encontrar material reciclável dentro do lixão para sobreviver. Ver o lixo neste estado esparramado na rua porque o caminhão não consegue depositar no barracão faz a gente relembrar como era a vida no lixão. Isso não é digno'', lamentou. Duas sacolas grandes (big bags) com mais de 60 quilos cada foram jogadas como rejeito.
A FOLHA procurou contato com responsáveis pela Ecosystem nos escritórios de Londrina e Curitiba, mas os telefonemas não foram atendidos.
O diretor de Operações da CMTU, Luciano Borrozzino, ordenou a diminuição do volume transportado para que os materiais não sejam danificados. ''Os caminhões transportaram 600 sacos nesta segunda-feira. Vamos diminuir a quantidade para 500 ou até chegar num volume aceitável, sem que haja danos. Se percebemos que não adianta usar compactador, vamos estudar outro modo de serviço'', explicou.
Pequena adesão
A adesão dos moradores foi pequena nos bairros visitados ontem nas regiões Norte e Leste de Londrina. No Conjunto Mister Thomas (Leste), a reportagem da FOLHA avistou poucos sacos verdes nas ruas (de vinte imóveis, apenas três colocaram os sacos de lixo na calçada).
''Sei que eles vão passar, mas não sei que dia'', comentou o pedreiro João Lopes. ''Eu não estava sabendo que iriam passar hoje. Eles nem deixaram os sacos verdes semana passada'', indagou o aposentado Batista Oliveira. Na semana anterior, a prefeitura deixou folders nas casas com a programação da coleta seletiva realizada pela Ecosystem.
No Conjunto Farid Libos (Norte), a adesão foi um pouco maior. O bairro ficou mais de um ano desassistido. ''Eles fizeram a parte deles, agora é com a gente. Vamos separar o lixo e procurar preservar o meio ambiente'', salientou a zeladora Valdete Barbosa.

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