Recife, 10 (AE) - Um clima de comoção marcou o enterro do garoto José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, o Juninho, hoje à tarde, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife. Cerca de mil pessoas, de familiares a desconhecidos comovidos com a tragédia, participaram do funeral. Algumas pessoas passaram mal, a exemplo da mãe da criança, a enfermeira Maria da Conceição Guerra, grávida de oito meses, que precisou ser internada ao saber da morte do filho. A avó paterna de Juninho, Maria, também precisou ser socorrida.
As professoras e colegas de Juninho compareceram em peso; o colégio onde o menino estudava suspendeu as aulas por três dias. De acordo com o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) o menino teve o braço direito decepado, o pescoço quebrado
as vísceras expostas e apresentava mordidas nas pernas, braços, tórax e cabeça. Parte de seu pescoço e do braço foram devorados pelos leões. Ataque - O garoto foi atacado por volta das 19 horas, quando passava, com o pai José Miguel dos Santos Fonseca, a irmã Mirela
de três anos, e o primo Alisson Pablo, de oito, ao lado de uma jaula vazia que havia acabado ser montada no picadeiro. Eles tinham ido fazer fotos com cavalos que haviam se apresentado pouco antes e voltavam para ocupar seus lugares. As pessoas ainda se acomodavam para ver a segunda parte do espetáculo e, de acordo com testemunhas, dezenas de crianças circulavam na área nesse momento.
De repente, de acordo com Augusto César de Queiroz Coelho, 19 anos, que havia feito o mesmo trajeto de Juninho e sua família minutos antes, um leão entrou na jaula e puxou a criança pelo braço direito com a pata. Seu pai e algumas pessoas tentaram desvencilhá-lo das garras do animal dando murros e cadeiradas, mas o leão conseguiu levar o menino para dentro da jaula. Um outro leão atacou Juninho pelo pescoço e seu corpo foi arrastado pelo túnel até o carro-jaula. Os dois animais foram mortos a tiros por policiais militares.
Algumas horas depois outros dois leões também foram executados porque, excitados com o sangue, tentavam entrar na jaula onde se encontrava a criança e os animais mortos. Dos cinco leões do Vostok, restou um que foi levado para o zoológico do Recife.

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