Do banheiro do hotel para o quarto, do quarto para o banheiro. Pelo menos 80% dos turistas já viveram um episódio da ''diarréia do viajante'' na vida, segundo estimativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O problema, comum nestes meses, costuma 'roubar' pelo menos três dias das férias com diarréias líquidas, vômitos, dores abdominais e febre.
A situação é desencadeada quando o viajante se desloca para uma zona de grande contaminação. ''Geralmente acontece quando a pessoa se desloca de uma região desenvolvida para um local mais pobre'', explica o médico de família Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-Libanês na capital paulista.
Isto não é uma regra. Um turista pode ter a diarréia do viajante em um país de primeiro mundo, por exemplo. ''Basta a pessoa estar em contato com água e alimentos contaminados e pessoas infectadas'', explica o gastroenterologista pediátrico Aderbal Sabra, da Universidade do Grande Rio (Unigranrio).
Segundo Sabra, o organismo das pessoas está acostumado ao sistema bacteriano do local onde vivem. E, quando elas se deslocam, ele reage e se adapta ao novo sistema bacteriano com as diarréias e outros sintomas.
Um quadro agudo dura até dez dias e, se não for tratado, pode matar. A cura vem pela própria resposta imunológica, mas é necessário que a pessoa reponha os líquidos que perdeu através da ingestão de sucos, chás, sopas e soro. ''O soro caseiro é fundamental'', avisa o gastroenterologista.
Para fabricá-lo, leve sempre na bagagem uma colher medida padronizada, encontrada nos Postos de Saúde ou na Pastoral do Menor. Com as mãos bem limpas, encha um copo com 200 ml de água filtrada ou fervida, adicione uma medida pequena e rasa de sal, duas medidas grandes e rasas de açúcar e mexa bem.
Também é importante não utilizar refrigerantes com a finalidade de reidratar o corpo. Além de não funcionarem, eles podem piorar a situação.
Bactérias como a salmonela e a shigella também costumam acabar com a diversão do viajante. Elas entram no organismo após a ingestão de água e alimentos preparados de forma inadequada. Os sintomas da intoxicação alimentar são febre, náuseas, vômito e diarréia e costumam aparecer cerca de 24 horas após a ingestão do alimento contaminado.
Mas, como experimentar a comida local é um dos grandes momentos de uma viagem, vale a pena procurar um bom restaurante. ''O ideal é escolher locais onde a comida pareça ser bem elaborada'', aconselha Helito.

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