São Paulo - Anginas estável e instável, infarto e morte súbita são as quatro faces de um mesmo mal: a doença arterial coronariana. A patologia é tão comum - dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as doenças cardíacas são 30% de todas as causas de morte - que é difícil não ter casos na família ou com conhecidos. Por isso, conhecer melhor o que é cada uma dessas manifestações clínicas, como evitá-las e a tecnologia disponível para o tratamento, pode ajudar cada um a cuidar melhor da saúde do próprio coração.
O cardiologista Fausto Feres, diretor do serviço de cardiologia do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, explica que a doença arterial coronariana nada mais é que o estreitamento das artérias coronárias devido a depósitos de gordura nas suas paredes internas. Esse estreitamento reduz o fluxo de sangue para o coração ou pode bloqueá-lo totalmente.
Quando há um estreitamento, o paciente costuma sentir dor no peito ao fazer atividade física. Ao se exercitar o organismo tem que ‘‘responder’’ rapidamente à demanda dos músculos que precisam de mais sangue e consequentemente mais oxigênio, e para isso, aumenta a frequência dos batimentos cardíacos. ‘‘Mas se há uma obstrução preexistente em alguma artéria, a oferta de oxigênio no músculo cardíaco é menor e aí vem a dor’’, explica Feres. Essa dor é chamada de angina estável e também pode acontecer em situações de estresse e com climas frios.
Quando a angina é instável, a dor ou a pressão no peito não acontece mais em situações de esforço, mas a qualquer momento. Essa situação, segundo o cardiologista, também é conhecida como ‘‘pré-infarto’’. O infarto agudo do miocárdio, normalmente precedido pela angina, é quando há interrupção total do fluxo sanguíneo, o que pode causar a morte do paciente ou graves sequelas dependendo da extensão do músculo cardíaco que deixa de receber oxigênio. Já a morte súbita pode ser a primeira manifestação da doença cardíaca, sem que apareçam outros sintomas.
Feres explica que a artéria não fica bloqueada por conta da placa de gordura, mas por causa da formação de um coágulo, que cresce e interrompe a passagem do sangue. Funciona assim: condições de estresse, cigarro ou a pressão arterial que sobe podem formar uma fissura nessa placa de gordura, que, em contato com o sangue, leva ao coágulo.
Esses mesmos fatores estão relacionados com o aumento do risco de formação da placa de gordura - tabagismo, pressão arterial elevada, colesterol elevado, sedentarismo, estresse, diabetes, obesidade, ingestão excessiva de álcool, histórico familiar e idade. Parte do tratamento passa pelo controle dessas causas, assim como a prevenção.
Medicamentos, colocação de stents (leia mais nessa página) ou cirurgia são algumas das possibilidades, mas optar pelo melhor tratamento, segundo Feres, depende do conhecimento científico, da experiência do médico, e também da preferência do paciente. ‘‘Não dá para falar que a angioplastia (colocação de stent) é melhor que a cirurgia (de ponte de safena), mas é preciso avaliar em qual situação o paciente se enquadra. A doença ‘pega’ o homem na fase mais produtiva da vida e é a que mais mata no mundo, por isso não há dúvida de que o mais importante é a prevenção’’, afirma.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Medtronic

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