São Paulo, 8 (AE) - As espécies da Mata Atlântica poderão ganhar nova forma de comercialização: a bolsa de commodities ambientais, que negociaria, à vista e no mercado futuro, produtos como orquídeas, bromélias, erva-mate, xaxim e palmito. Idéia do Sindicato dos Economistas de São Paulo, a proposta está em estudo pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, que reúne governo e organizações não-governamentais da área ambiental.
O projeto foi assunto de seminário promovido na semana passada pela entidade, no Instituto Florestal, para discutir o manejo sustentável dos recursos da Mata Atlântica. Também patrocinaram o evento a Fundação SOS Mata Atlântica, a Embrapa e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, que administra recursos do Banco Mundial.
Os responsáveis pela proposta asseguram que a preservação da floresta depende de sua exploração sustentável e não de tentativas de manter a natureza intocável. "Não adianta tratar a Mata Atlântica como a casa do mico-leão dourado, é preciso entender que ela serve como fonte de renda e emprego para muita gente", explica a gerente-executiva do Conselho Nacional da Biosfera da Mata Atlântica, Luciana Simões. E conclui: "A mata não será preservada se não der dinheiro". Por isso, acredita, a bolsa terá papel fundamental para preservação da região ao criar mercado e fonte de financiamento para quem tem na floresta fonte de renda. Afinal, só serão negociadas commodities com garantia de exploração ecologicamente correta.
Para tirar a idéia do papel, o Sindicato dos Economistas preparou projeto-piloto de uma bolsa de orquídeas e suas sementes. "As orquídeas têm bom valor de revenda e, se preservadas, mantém toda a mata", explica uma das responsáveis pela iniciativa, Amyra El Khalili. Posteriormente, chegariam à bolsa outras commodities da Mata Atlântica, como palmito, urucum
plantas medicinais, erva-mate, caju e araucária.
O projeto do sindicato prevê a realização de negócios, por meio de leilões, no mercado à vista e futuro. No caso das vendas futuras, a intenção é criar papéis, batizados de Cédulas de Produto Ambiental (CPAs). A exemplo das Cédulas de Produto Rural (CPRs), as ambientais garantiriam a entrega do item no prazo, quantidade e qualidade especificados. "Assim como as CPRs, as CPAs irão a leilão", conta Amyra. Entre os potenciais interessados nas transações da bolsa, ela cita laboratórios farmacêuticos, colecionadores, produtores e pesquisadores de orquídeas, além de fundos de investimento em commodities ambientais.
Atualmente, na maior parte das vezes, a exploração das espécies da Mata Atlântica é feita de forma predatória por gente que tira da mata parte da subsistência. Exemplo disso está na extração de palmito. "A exploração costuma ser feita em áreas proibidas, sem deixar árvores para garantir a continuidade da espécie no local", explica Luciana Simões.
Segundo ela, geralmente as espécies da Mata Atlântica são exploradas sem autorização da Secretaria do Meio Ambiente ou do Ibama. "A extração costuma ser feita irregularmente por desinformação e falta de recursos para contratação de um técnico encarregado da elaboração de um projeto de exploração sustentável", diz.. "Também é mais fácil simplemente roubar o produto do que trabalhar de acordo com a lei", acrescenta.
Nem toda exploração, porém, é feita de forma predatória. Boa parte da produção de erva-mate, a cargo de grandes empresas, é feita de forma sustentável, diz ela. "No caso, muitos sabem que o negócio depende da preservação da espécie", explica.

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