Comlurb recolhe 40 toneladas de peixes mortos na Ilha do Governador
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 04 (AE) - Uma nova mortandade de peixes aconteceu no Rio. Ontem e hoje cerca de 40 toneladas de sardinhas da espécie Boca-Torta foram recolhidas nas praias da Ilha do Governador, na zona norte, pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). As causas do problema são desconhecidas. Técnicos da Vigilância Sanitária do município coletaram amostras do pescado e especialistas da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) recolheram amostras de água para análises. Os resultados dos exames devem sair até o fim de semana.
É a segunda vez este ano que peixes aparecem mortos nas praias da Ilha do Governador. Em janeiro, um derramamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, provocado pelo rompimento de um duto da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), causou a morte de toneladas de peixes. Durante o carnaval, um despejo de esgoto na Lagoa Rodriguo de Freitas, na zona sul, provocou nova mortandade.
As sardinhas foram encontradas ontem à tarde nas praias da Ilha do Governador. Funcionários da Comlurb recolheram cerca de 13 toneladas. Hoje a companhia estimava que mais 27 toneladas foram retiradas das praias do Galeão, Freguesia, Pinga e São Bento. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Feema trabalham com duas hipóteses: pesca predatória ou contaminação por substância tóxica lançada por alguma indústria.
"A mortandade pode ter sido provocado por pesca predatória ou uma contaminação química", disse o presidente da Feema, Axel Grael. Para o biólogo Mário Moscatelli somente os resultados dos laudos poderão apontar as causas. "Pode ter sido provocado por uma intoxicação ( os peixes podem ter comido algas tóxicas) ou provocado por algum barco que não quis o pescado ", afirmou Moscatelli. Ele explicou que a sardinha Boca-Torta tem baixo valor comercial, e portanto, pode ter sido devolvida ao mar por um barco pesqueiro.
O problema provocou mau cheiro nas praias. Pescadores da região e ambientalistas reclamaram da mortandade. "O governo estadual precisa fiscalizar os postos e as indústrias da região", queixou-se o ambientalista Sérgio Ricardo. Os restaurantes tiveram prejuízos com a falta de fregueses, que fugiram da região.


