Arquivo Folha‘‘Ilusão’’O coronel Luiz Fernando de Lara, comandante da PM do Paraná e presidente de um conselho nacional de comandantes não acredita que a desmilitarização vai resolver o problema da violência no meio policial. Para ele, ‘‘o que falta é que os governantes tenham vontade política para disciplinar a atuação policial’’ A Secretaria Nacional de Direitos Humanos criou ontem um comitê executivo para acompanhar o desempenho das polícias civis, militares e corpos de bombeiros de todo o País. A idéia é ter uma radiografia bimensal das corporações para que sejam feitas comparações e sugestões para a melhoria delas. Na próxima semana, será concluído o esboço do questionário com cerca de 30 perguntas, que será encaminhado a cada corporação no início de agosto. Em outubro, as polícias e bombeiros vão ter de informar à secretaria, por exemplo, o número de policiais mortos em serviço e o número de civis mortos por ações dessas polícias.
‘‘Eu não tenho hoje nenhum dado. Se você me perguntar qualquer informação, qualquer detalhe das polícias, eu não tenho’’, disse o secretário José Gregori. ‘‘Até sei quantas pessoas morrem pela ação das PMs, por dados que me são passados por organizações não-governamentais. Mas nem posso confrontá-los’’, completou.
Entre as questões estarão ainda cobrança de dados de horas de treinamento, do currículo de formação, das horas de trabalho nas ruas e número atendimentos prestados. ‘‘Não queremos só informações, queremos questioná-los também para que isso sirva de estímulo e melhoria’’, disse o secretário.
O comitê, que tem caráter permanente, será criado por portaria do Ministério da Justiça e terá dez membros. Entre as atribuições desse comitê estará fazer visitas às corporações para checar os dados enviados. O questionário ganhou o apelido de ‘‘provão das polícias’’. Ontem, a Comissão Especial sobre Segurança Pública, que analisa propostas para mudanças nas PMs de todo o País, ouviu o depoimento do coronel Luiz Fernando de Lara, comandante da PM do Paraná e presidente de um conselho nacional de comandantes. Ele defendeu a manutenção da militarização para os PMs.
‘‘Querer uma polícia sadia numa sociedade doente é ilusão. O que falta é que os governantes tenham vontade política para disciplinar a atuação policial, que é o grande papel das secretarias de segurança pública’’, afirmou Lara.
Para o comandante, desmilitarizar as polícias ‘‘só pelo preconceito’’ teria como resultado o aumento dos índices de criminalidade, pois seria ‘‘aumentar a indisciplina e acabar com a hierarquia’’.
A comissão também ouviu o presidente nacional do Conselho dos Policiais Civis, Luiz Paulo Brown, que defendeu a proposta de unificação das polícias civil e militar, feita pelo governador de São Paulo, Mário Covas.
Volta ao trabalho - Depois de três dias afastados do trabalho, os policiais militares voltaram às ruas de Minas Gerais ontem. As informações são de que todos os batalhões de Belo Horizonte e do interior do Estado funcionaram normalmente. Segundo o líder dos rebelados cabo Júlio César Gomes, todos os batalhões, que haviam concordado com o índice negociado anteontem à noite - 48,2% para os soldados, que agora têm piso de R$ 615 -, telefonaram ontem informando que estavam trabalhando normalmente.
‘‘Agora está 100% normal. O problema foi totalmente contornado’’, disse ele. De acordo com Gomes, o efetivo da PM mineira é de 42 mil pessoas, das quais 34 mil são soldados, cabos, sargentos e tenentes. A adesão ao movimento foi de 75%, segundo ele, entre manifestantes que foram para as ruas e policiais que ficaram parados nos quartéis.
Os soldados do Exército também deixaram os palácios da Liberdade e das Mangabeiras, por volta das 14 horas. Eles ficaram durante 68 horas nos palácios, garantindo a segurança pessoal do governador. Mesmo com o acordo tendo sido fechado por volta das 20 horas da quarta-feira, os soldados permaneceram por ainda 18 horas nos palácios.

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