Comitê de crise apresenta ações emergenciais após temporal
Prefeitura vai mapear imóveis públicos para receber desabrigados e quer mudar lei ao auxílio moradia emergencial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2025
Prefeitura vai mapear imóveis públicos para receber desabrigados e quer mudar lei ao auxílio moradia emergencial
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

O secretário de Governo e coordenador do comitê de crise da Prefeitura de Londrina, Rodrigo Souza, deu detalhes nesta quarta-feira (5) da atuação do município para atender à população atingida pelas fortes chuvas que caíram na cidade na tarde de terça (4) - e que devem continuar ao longo desta semana, com risco de novos temporais.
Foram cerca de 34 milímetros de chuva em uma hora. Nos cinco dias de fevereiro já são quase 100 milímetros acumulados, mais da metade da média esperada para o mês. A Defesa Civil de Londrina registrou 16 ocorrências - quedas de árvores, alagamentos e deslizamentos de terra. Mas o número não resume os estragos registrados pela cidade.
Na avenida Celso Garcia Cid, por exemplo, havia tanta água acumulada que um homem foi flagrado andando de caiaque pela via pública. Na rua Goiás, um salão de beleza foi invadido pela enxurrada - mesma situação no Aterro do Igapó, que ficou completamente alagado e deixou prejuízo para os moradores e comerciantes.
O coordenador do comitê de crise reconheceu que as imagens são “impressionantes”, mas frisou que não houve “danos às pessoas, não houve vítimas”. “Nós rapidamente atuamos para socorrer aquelas poucas pessoas que nos procuraram e atendemos ontem à noite mesmo”, disse em coletiva.
Ele ressaltou que nos pontos de alagamento foram identificados bueiros entupidos e muito lixo descartado incorretamente em fundos de vale - e já vinha sido feita uma limpeza desses locais. “Na nossa avaliação, parte desse trabalho já ajudou a mitigar os efeitos das chuvas de ontem”, acrescentou.
Segundo o secretário, já foram adotadas medidas emergenciais e a Prefeitura permanece em estado de alerta quanto houver previsão de fortes chuvas. Preventivamente, o intuito é enviar um projeto de lei para a CML (Câmara Municipal de Londrina) readequando o Auxílio Moradia Emergencial para contemplar desabrigados por eventos climáticos - hoje, a legislação atende apenas londrinenses em casos de desapropriações, com o valor de R$ 552,68.
Outra ação é o mapeamento de imóveis públicos que podem abrigar famílias. “Estamos fazendo esse levantamento, ainda não temos uma lista”, destacou.
Para Souza, é necessário manter uma limpeza contínua dos fundos de vale, de bocas de lobo e bueiros.
“Identificamos que em vários pontos existem sedimentos compactados de difícil remoção nas galerias de água pluvial. Isso vai exigir de nós, muito provavelmente, uma licitação para contratar uma empresa especializada nisso”, adiantou o secretário, que fala em vistoriar todas as áreas alagadas da cidade.
O secretário também disse que, até o momento, a prefeitura não identificou necessidade de decretar situação de emergência, mas que irá atualizar o protocolo de atendimento emergencial. "Ele precisa ser ampliado para incluir outras secretarias - Assistência Social, Saúde, Educação, CMTU, Obras, Iluminação... tudo isso pode ser afetado em um evento climático", completou.
ATERRO DO IGAPÓ
Alguns pontos de alagamento como a avenida Dez de Dezembro e ruas da área central estão no radar da prefeitura, uma vez que são problemas antigos. "Vamos entender exatamente qual é a situação da área próxima, para ver se conseguimos resolver pontualmente esses casos", adiantou.
No caso do aterro do Igapó, Souza pontua que se trata de um “problema mais complexo”.
“Existe há algum tempo um projeto de recuperação da bacia do Ribeirão Cambé e nós queremos retomar e colocar para frente”, dizendo que o Igapó está chegando “quase no limite da sua capacidade de contenção da água”.
“Por conta disso, vamos olhar com cuidado para uma solução definitiva. Mas, não é uma solução a curto prazo, vai levar alguns anos para a gente resolver”, reforçando que serão feitas ações emergenciais na Joaquim de Matos Barreto e na Bento Munhoz da Rocha Neto, por exemplo. "Certamente existe problema de lixo, sedimentação dentro das galerias de águas pluviais e isso vamos resolver. Mas o problema mais estrutural, para evitar que a água chegue com tanta força e o aterro fique alagado, é o último recurso."
FLORES DO CAMPO
Cleberson Andrade, líder comunitário do Flores do Campo, na zona norte de Londrina, ressaltou à FOLHA que todas as famílias foram afetadas pelas chuvas, principalmente pelo acúmulo de barro nas vias sem asfalto. Na tarde de terça-feira (4), vídeos de crianças passando pelo lamaçal para ir à escola repercutiram na cidade.
“O Flores do Campo é esse barro, essa lama. As crianças enfrentam isso, quem sai cedo para trabalhar”, disse Andrade em um vídeo encaminhado à reportagem. “É uma situação terrível, está há oito anos assim.”
De acordo com Souza, uma ação paliativa é a aplicação de moledo nas vias que ainda não são pavimentadas. “Já temos uma pedreira autorizada para extrair o moledo. É só aguardar essas chuvas mais fortes passarem”.
MAIS CHUVA
A agrometeorologista Heverly Morais, do IDR-Paraná, explica que, em cinco dias de fevereiro choveu 98 milímetros em Londrina, que é mais da metade da chuva esperada para o mês todo. “Na terça-feira houve uma chuva muito forte, em uma hora choveu 34 milímetros, provocando alagamentos em toda a cidade”, afirma.
A previsão é que as chuvas continuem em Londrina nos próximos dias. “O sistema de baixa pressão intensificará esse transporte de calor que vem da Amazônia, no Norte do País. É esperada bastante chuva em todas as regiões do Paraná, pode haver formação de temporais localizados, com chuvas volumosas em curtos períodos de tempo”, projetou.


