Comisssão rejeita defesa de Izar e decide manter processo de cassação
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 12 (AE) - A Comissão Processante que estuda a cassação do vereador José Izar (PFL) rejeitou hoje a defesa prévia do parlamentar por considerá-la "inconsistente, pífia e muito magra" e decidiu, por unanimidade, pelo prosseguimento dos trabalhos. O grupo poderia ter optado pelo arquivamento do processo de cassação, caso a defesa tivesse sustentação suficiente para responder às acusações, disse o presidente da comissão, o vereador Miguel Colasuonno (PPB). "Me impressionou muito o descuido do acusado com sua defesa, que surpreendeu e indignou a comissão; pareceu falta de consideração com o grupo".
Conforme relatou Colasuonno, Izar defendeu-se em "três magras folhas de papel", enquanto as acusações preenchiam mais de 5 mil páginas de texto corrido. José Izar é acusado de comandar e de ser um dos beneficiários do esquema de arrecadação de propinas na Administração Regional da Lapa, que manteve sob seu controle político. E no relato da defesa prévia, continuou o presidente da comissão, Izar não respondeu diretamente a nenhuma das acusações específicas que lhe foram atribuídas: uso da máquina administrativa na candidatura de seu irmão Willians Izar, concussão e prevaricação.
A defesa deteve-se apenas em responder que, pela legislação, a acusação por funcionários só poderia ser válida se realizada em órgãos públicos competentes. "Mas eles esqueceram que os funcionários vieram depor em uma CPI, que está extraordinariamente fora do rito municipal; foi pífia", disse Colasuonno. O vereador José Izar não foi encontrado hoje para comentar a decisão da Comissão Processante. Depoimento - O depoimento de Izar está marcado para segunda-feira, às 10 horas. Ele deverá ser convocado com, no mínimo, 24 horas de antecedência. Se não comparecer, deverá entregar uma justificativa muito forte aos integrantes sa comissão. "Caso contrário, teremos de usar meios coercitivos para convocá-lo", disse o presidente. Em seguida, nos dias 20 e 26, a comissão vai convocar as dez testemunhas de defesa e dez de acusação.
Os vereadores do grupo estimam que, se o ritmo de trabalho for mantido, a comissão terá uma decisão final bem antes do prazo previsto para o término, em 26 de setembro. A Comissão Processante que recomendou a cassação do ex-vereador Vicente Viscome, afastado em 28 de junho, também se adiantou na entrega da recomendação. "Limpeza" - Apesar de todos os membros da comissão, com exceção de um, serem parte integrante da base de apoio ao prefeito Celso Pitta (sem partido), todos se mostraram favoráveis ao prosseguimento dos trabalhos. Compõem o grupo, além de Colasuonno, Natalício Bezerra (PTB), Bruno Feder (PTB), Cosme Lopes (PPB), Jooji Hato (PMDB), Viviani Ferraz (PL) e Anna Martins (PC do B).
Segundo um vereador governista, que não pode ser identificado, o resultado da avaliação da defesa pela Comissão Processante comprova a tese que corre nos gabinetes da Câmara Municipal: as cassações de José Izar e de Maeli Vergniano (sem partido) são tidas como certas e fariam parte de uma estratégia para limpar a imagem da Casa, desgastada por causa das inúmeras denúncias de participação de vereadores nos esquemas de corrupção em órgãos municipais.
O único que não compareceu à reunião da comissão sobre Izar, realizada hoje, foi o vereador Cosme Lopes (PPB). "Mas ele me confidenciou seu voto pela manhã", garantiu Colasuonno, que não soube explicar a ausência de Lopes. Sexta-feira vence o prazo para Maeli entregar sua defesa prévia. Caso contrário, perderá direito à renúncia do cargo, o que garantiria seus direitos políticos. Por meio de uma manobra, a defesa de Maeli conseguiu adiar o prazo de entrega da defesa em dez dias.


