Curitiba - Pesquisa feita nos anos 80 em algumas indústrias brasileiras que utilizam o benzeno como uma de suas matérias-prima mostrou que três mil trabalhadores estavam contaminados. Recentemente, um levantamento feito em uma empresa na Bahia identificou 700 casos de contaminação. Apesar de não haver estatísticas sobre os índices de contaminação no Brasil, a preocupação em reduzir o uso do benzeno é grande, uma vez que trata-se de um produto cancerígeno, que pode ser absorvido facilmente pelo organismo.
Para discutir esta questão, cerca de 150 técnicos e profissionais, representantes de grupos de trabalho e comissões de oito estados do País dentre os quais o Paraná onde existem empresas que usam o benzeno como insumo em seus processos químicos, estão reunidos em Curitiba desde ontem. O objetivo é trocar experiências do que cada estado está fazendo dentro do Programa de Prevenção à Exposição Ocupacional ao Benzeno e definir medidas para melhorar as condições de saúde e segurança para os trabalhadores que atuam nestes locais de trabalho.
Segundo Danilo Costa, coordenador da Comissão Nacional Permanente do Benzeno, há um esforço conjunto dessas comissões formadas por representantes dos trabalhadores, governo e empresas em reduzir ao máximo o uso de benzeno. A substância, proveniente do petróleo, é utilizada principalmente na indústria petroquímica e siderúrgicas. Este trabalho foi intensificado a partir de 1982, segundo ele, quando foi proibido o uso do benzeno em produtos industrializados. ''Nessa época tinha solventes no mercado que tinham 99% de benzeno'', disse.
A partir de então foi criado um Valor de Referência Técnológica (VRT), que estipula a concentração máxima de benzeno presente em produtos como gasolina, tintas e solventes. Em alguns produtos o VRT é de 1%, mas a meta é chegar a 0,1%.
Segundo Sérgio de Barros, chefe do Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) do Paraná, órgão que está organizando o encontro, o benzeno é um agente tóxico cancerígeno, que pode ser absorvido por via oral, cutânea ou inalação. O produto é utilizado como combustível e solvente de graxas e resinas. Quando manipulado em concentrações maiores que as permitidas e sem equipamento de proteção, pode agir sobre o sistema nervoso central, ocasiona problemas gástricos e hepáticos, além de provocar problemas circulatórios, destruindo os vasos sanguíneos e destruindo as hemáceas (glóbulos vermelhos), podendo chegar à leucemia (câncer no sangue).
Apesar de ser mais perigoso nas petroquímicas e siderúrgicas, também representa riscos para quem trabalha em contato com a gasolina. É o caso dos 10 mil frentistas que trabalham nos 1,7 mil postos de gasolina existentes no Paraná. Por isso, segundo Barros, há 15 dias a DRT firmou um convênio com o Sindicato dos Postos de Gasolina (Sindicombustíveis). Pelo convênio, será realizado um monitoramento em todo Estado para verificar a existência ou não de contaminação entre os trabalhadores, além de se implementar medidas de ordem saneadora, como a obrigatoriedade de equipamentos de proteção.

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