Comissões da Câmara vão apurar ação da PM em Brasília
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 03 (AE) - Criada há 10 dias, a comissão especial da Câmara de combate à violência vai iniciar seus trabalhos apurando a responsabilidade pelo episódio de repressão a funcionários grevistas da Novacap, ontem (02) que deixou um morto e dezenas de servidores. O vice-presidente da comissão, deputado Wellington Dias (PT-PI), anunciou que serão ouvidos, na quinta-feira, o ex-secretário de segurança do Distrito Federal, Paulo Castelo Branco, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Antonio Ribeiro Cunha, e outras autoridades.
Para o deputado, a ação truculenta dos policiais militares deve ser punida severamente. Segundo ele, a comissão vai agir para transferir as investigações para a área federal, se constatar que o governador Joaquim Roriz (PMDB) não está colaborando para punir os envolvidos. "É para isso que serve a tolerância zero do governo do DF", questionou Dias, ao se referir ao programa de combate à violência adotado pelo governador no início do mandato.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara também convocou para depor, na terça-feira, o ex-secretário de Segurança, o ex-comandante da PM e o promotor público Paulo Gomes. O terceiro-vice-presidente da comissão, deputado Agnello Queiroz (Pc do B), explicou que a intenção é não deixar passar em branco "um crime de repercussão internacional". Ele lembrou que desde o início de sua gestão, Roriz vinha agindo para impedir a manifestação de servidores. O governador chegou a proibir manifestações, mas seu ato foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agnello adiantou que a comissão poderá pedir ao Ministério da Justiça que assuma as investigações do que é visto por ele como "um massacre", se ficar provado que o governo local não se deu conta da exata gravidade dos fatos.
Para o deputado Emerson Kapaz (PPS-SP), a violência verificada na repressão aos trabalhadores está na contramão do que ocorre no País. Segundo ele, o Congresso deve se manifestar para impedir que o exemplo do governo do Distrito Federal venha a ser seguido em outros Estados."Primeiro, o governador acabou com a bolsa-escola", lembrou. "Agora, agride a sociedade".
O senador Tião Viana (PT-AC), em discurso em plenário, considerou incompatível com os dias atuais a violência na repressão aos trabalhadores. "Como um ato de reivindicação pode acabar em morte?", perguntou.


