Curitiba - Uma comissão de vereadores da Câmara Municipal de Curitiba e representantes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) visitaram, ontem, o aterro industrial da empresa Essencis, na Cidade Industrial, para verificar em que condições foram destinadas as 300 toneladas do solo contaminado proveniente da cidade paulista de Cubatão. A vinda do lixo tóxico um total de 20 mil toneladas havia sido autorizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em novembro do ano passado e foi suspensa, em dezembro, depois de denúncias de ambientalistas de que o material conteria resíduos de agrotóxicos.
O coordenador de resíduos sólidos da Sema, Carlos Alberto Hirata, disse que foi solicitada à empresa a divulgação dos laudos das análises do lixo que já está depositado no aterro. Segundo ele, se houver confirmação da presença de organoclorados (base de agrotóxicos), o material será devolvido. ''Se confirmado, foi de fato um grande equívoco'', afirmou, referindo-se à licença para a importação do lixo tóxico, concedida na gestão anterior. A Resolução nº 26 do Conselho Estadual do Meio Ambiente proíbe a entrada desse tipo de produto no Paraná. Técnicos do IAP também coletarão amostras dos resíduos para análise.
Na semana passada, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, anunciou o cancelamento definitivo da autorização para entrada do solo contaminado no Paraná. A decisão, no entanto, ainda não foi oficialmente comunicada à Essencis, conforme informou o gerente regional da empresa, Luiz Renato Iurk. Para ele, a suspensão no licenciamento é temporária e será revista, assim que o secretário tiver acesso ao detalhamento das informações técnicas. ''Vai ser provado que não tem nada irregular'', declarou.
Iurk garantiu que das 55 amostras analisadas do material que chegou ao aterro, apenas três apresentaram ''levíssimos'' traços de hexaclorobenzeno e hexaclorobutadieno (tipos de solventes) que podem ser usados na fabricação de agrotóxicos, mas também se aplicam no processamento de outros produtos como celulose, PVC, borracha e madeira. Não se tratariam, portanto, de resíduos de agrotóxicos.
As 300 toneladas de solo contaminado já depositadas no aterro, segundo a empresa, não precisaram passar por tratamento prévio. O material foi acondicionado em valas impermeabilizadas com camadas de 60 centímetros a um metro de argila compactada, que evitariam a contaminação do solo ou lençóis freáticos.

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