Brasília, 02 (AE) - O secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, vai criar, na próxima semana, uma comissão para estudar a aplicação de testes antidopping em alunos de escolas e empregados de empresas brasileiras, que já estão sendo realizados em escolas e empresas de São Paulo e Rio de Janeiro. A comissão será presidida pela vice-reitora da Universidade de São Paulo (USP), Ada Pellegrini Grinover. Segundo Maierovitch, algumas escolas estão encaminhando aos pais pedidos de autorização para fazer testes antidopping.
"O governo está antecipando a discussão de um problema cujos efeitos são seríssimos para a sociedade", disse Maierovitch, de Buenos Aires, onde foi assinar um acordo para que a seleção argentina participe da campanha antidrogas no jogo contra o Brasil, no sábado. A principal argumentação dos diretores destas escolas, disse o secretário, é que estariam ajudando a combater o uso de drogas entre adolescentes. Ele, no entanto, revelou estar preocupado com a iniciativa.
De acordo com o secretário, é necessário regulamentar o tema, pois muitas escolas podem acabar "estigmatizando" os jovens. "O aluno cujo teste dê poisitivo vai ser obrigado a deixar a escola constrangido", observou Maierovitch, prevendo que o estudante" chegará marcado em outro" colégio. Segundo avaliação do secretário, os exames, da forma como estariam sendo feitos, seriam uma medida coercitiva que levanta questões constitucionais. "Pela Constituição, ninguém está obrigado a produzir prova contra si".
Maierovitch sugeriu às escolas que suspendam o envio de pedidos de teste antidopping até que a comissão apresente suas conclusões, em 40 dias, e o governo anuncie medidas nesta área. O secretário disse não acreditar na eficácia dos testes, da forma como estariam sendo feitos, por não diferenciar o dependente de quem experimenta a droga. O secretário deixou claro que é contra os exames. "Temos outros caminhos para fazer prevenção nas escolas", disse. "Por meio de professores treinados".
Dependendo do resultado do trabalho da comissão, o governo poderá divulgar portaria sobre o tema. Esta portaria deverá regulamentar os testes também em ambientes profissionais. Empresas brasileiras, seguindo o exemplo norte-americano, estariam exigindo que os funcionários assinem autorização para exame antidopping.

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