Comissão vai discutir violência no PR
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domingo, 18 de abril de 1999
Leandro Donatti 
Um grupo de deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal discute hoje em Curitiba a violência contra os sem-terra no Paraná. A agenda dos parlamentares começa logo mais às 11 horas, quando o grupo se reúne com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sydney Zappa, e termina com um encontro marcado para as 19h30 com o governador Jaime Lerner (PFL). A comissão tem ainda audiência, às 16h30 com o procurador geral de Justiça, Gilberto Giacóia.
A preocupação dos deputados tem como base os números da violência contra sem-terra no Estado. Levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra dá conta que só no ano passado, foram assassinados nove trabalhadores rurais no Paraná. No mesmo período, 128 sem-terra foram presos pela Polícia Militar. Nenhuma das mortes teve a sua apuração concluída até o momento. Na conversa com Lerner, no edifício-sede da Copel, os deputados federais pedirão mais empenho do governo estadual na punição dos responsáveis pelas mortes.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Nilmário Miranda (PT-MG); o líder do PT na Câmara, José Genuíno (SP); o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura Familiar, padre Roque Zimmermann (PT-PR); Fernando Gabeira (PV-RJ), Flávio Arns (PSDB-PR), Luci Choinaki (PT-SC) e o senador Geraldo Campos (PT-RJ) integram a comitiva. Às 14 horas, eles participam de um encontro, no Plenarinho da Assembléia Legislativa, com os representantes do Fórum Paranaense pela Cidadania e Direitos Humanos.
Paralelo às conversas da comissão da Câmara, o Fórum Estadual de Luta por Trabalho, Terra e Cidadania promove uma vigília contra a impunidade e a violência no campo. A manifestação tem o apoio do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A concentração será no Parque Barigui. A partir do meio-dia, os manifestantes distribuem panfletos de protesto à comunidade, na Boca Maldita. No início da noite, o grupo se desloca para o Centro Cívico, aonde pretende permanecer em vigília em frente o Palácio Iguaçu.
As discussões em torno da violência nas brigas pela terra desencadearam com a morte de Eduardo Anghinoni, irmão de um líder sem-terra no Noroeste do Estado, há cerca de 15 dias. Na semana passada, os secretários de Segurança, Cândido Martins Oliveira; e da Justiça, José Tavares, foram a Brasília prestar informações ao Ministério da Justiça sobre a morte de Anghinoni. A convocação foi determinada pelo ministro Renan Calheiros.


