Curitiba – Deputados da base aliada ao governador Beto Richa (PSDB) estão colhendo assinaturas para criar hoje, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, uma comissão especial com o objetivo de discutir a tensão no acampamento Dom Tomas Balduíno, no município de Quedas do Iguaçu (Centro-Oeste). O território é alvo de disputa entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Araupel, exportadora de pinus e eucalipto. Na última quinta-feira, uma ação da Polícia Militar (PM), que alegou ter sido chamada para combater um incêndio na região, deixou dois membros do MST mortos e ao menos sete feridos. As duas instituições possuem versões diferentes sobre o ocorrido – ambas afirmam ter sofrido emboscadas.
Ontem, manifestantes do Movimento Brasil Livre (MBL), cuja principal bandeira é o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), estiveram na AL para se posicionar a favor da PM e contra o MST. Nas galerias da Casa, eles carregavam faixas com os dizeres "Obrigado, PM", "Fora MST" e "Com bandido é na bala". Diversos parlamentares, como Guto Silva (PSD), Elio Rusch (DEM), Marcio Pauliki (PDT), Pedro Lupion (DEM), Hussein Bakri (PSD), Paulo Litro (PSDB) e Stephanes Jr. (PSB), foram aplaudidos ao defender a postura da polícia e cobrar uma solução para o conflito. "É natural que ninguém aprove a violência. Todos buscamos o diálogo. Entretanto, o Estado brasileiro e o Paraná não podem conviver com situações de clara afronta à Constituição, ao direito à propriedade", disse Guto.
O deputado Professor Lemos (PT) criticou o fato de a PM ter entrado no acampamento ao lado de funcionários da empresa. "É um acampamento já definido. Não se deve procurar nenhum atrito. Tem que se aguardar a decisão da Justiça – de fazer reforma agrária ou devolver às terras para a Araupel, que já perdeu dois julgamentos", opinou.

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